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15 de jun. de 2011

Sempre ao Seu Lado


Filmes com cachorro são muitas vezes relacionados á uma temática infantil porém, há alguns que, por seu autêntico apelo emocional consagra-se em um patamar ao seu lado. Principalmente quando a obra é baseada em uma história real.

É isso o que acontece com Sempre ao Seu Lado ( Hachiko, no original), produzido em 2009, sendo um "remake ocidentalizado" do filme Hachiko Monogatari produzido em 1993. O filme nos traz não apenas uma história de lealdade de um cão para com seu dono. É na verdade uma genuína forma de amor. Um amor puro e sincero, oriunda de uma amizade e consideração que apenas os animais são capazes de desenvolver.

Richard Gere interpreta o professor Parker Wilson, homem casado e com uma filha crescida, que vive confortavelmente em uma cidade do interior por volta da década de 1920. Em uma noite fria, após voltar do trabalho em outra cidade, o professor Parker encontra na estação de trem um filhote da raça Akita. No primeiro momento ele pensa em deixar o cãozinho com o vigia da estação, pois tudo leva a crer que o animal foi esquecido no embarque/desembarque. Porém, diante da impossibilidade de deixar o animal no lugar frio, Parker decide levá-lo para casa até que encontre alguém que queira o bichinho, mesmo á contragosto de sua esposa.

Lógico que o Akita já encontrou seu lar e escolheu Parker para seu dono. O professor logo se apega ao filhote e, devido á um pingente de madeira com o ideograma Hachiko (Oito em japonês) presente na coleira, decide nomeá-lo de Hachi.

Os cães da raça Akita são congecidos por sua lealdade e, com os conhecimentos do professor Ken
(Hiroyuki Tagawa), Parker apega-se ainda mais á Hachi. É excelente a química entre o aotr Richard Gere com o cão. Ao lado dos Akitas, Richard Gere demonstrou uma espontaneidade que há muito não se via. Hachi então se torna o mais novo membro da família, conquistando todos, principalmente Parker,iniciando uma bela amizade.

Todos os dias, Hachi acompanha seu dono até a estação para que Parker pegue o trem, voltando depois para casa. Ao final da tarde, Hachi vai pontualmente até a estação e aguarda na pracinha enfrente até que seu dono surja na porta.O hábito de Hachi traz felicidade ao professor Parker e atrai a simpatia de todos aqueles que estão nas proximidades: o vigia da estação, a dona da livraria, as pessoas que rotineiramente pegam o trem, o vendedor de cachorro-quente e etc.

Porém, um dia, enquanto dava aula, o professor Parker sofreu um ataque cardíaco e veio a falecer. Enquanto a família enfrentava a dor da perda, Hachi manteve seu dever. Logo pela manhã ele ia até a estação de trem, sentava-se na pracinha e ali ficava até que chegasse o último trem.

E é aqui que reside o lado emocional do filme. A devoção de Hachi é tão imensa que não importa quanto tempo passe, se chova, neva ou faça sol: ele permanece ali, atento á cada vez que o novo trem chega, na esperança de reencontrar seu dono e recebê-lo com alegria. As pessoas observam o ato do cachorro com surpresa e carinho pois nem mesmo a filha do professor Parker levando Hachi para sua casa faz com que o cão mude o hábito. Fugindo da nova casa na primeira oportunidade, Hachi percorre um longo caminho só para voltar á estação de trem e esperar por seu dono.


A devoção e amor de Hachi - que permanece inalterada diariamente do primeiro ao último trem - chega ao conhecimento das imprensa, que redigiu matérias sobre a lealdade de um cão para com seu dono. Hachi recebe doações e é tratado pelas pessoas que trabalham por ali. E muitos, ao saírem do trem chegam a cumprimentar o cão, pois ele se torna parte da vida rotineira de todos.

Á medida que o tempo passa, vmaos nos sensibilizando cada vez mais. Talvez Hachi soubesse que seu dono jamais voltaria, mas sua força o impelia a estar ali, como uma razão de existir. E isso parece ser provado no momento em que o professor Ken encara o Akita e lhe diz em japonês: " - Seu dono jamais irá voltar. Mas se é isso o que deseja fazer, faça Hachi."

Na última parte do filme, revemos a esposa de Parker visitando o túmulo do marido após terem se passado dez anos. E, antes que possamos assimilar, as lágrimas já se tornam inevitáveis. Quando visualizamos Hachi, agora tão velho e exausto, caminhando lentamente pela cidade até a estação de trem e sentando-se no mesmo lugar da pracinha enfrente á porta para aguardar, conter as lágrimas é impossível.Ao encontrar o cão ali, sempre fiel todos os dias ao longo de dez anos, a esposa de Parker - em um misto de dor e compaixão - abraça Hachi.

Hachi faleceu em 1934, exatamente no mesmo lugar em que ficara aguardando o regresso de seu dono. A história do Akita correu em Fukushima, no Japão e hoje existe um monumento erguido em sua homenagem naquele local.

A cena final é ao mesmo tempo dolorosamente triste e bela, com a devoção e amor de Hachi por seu dono. Alternando a câmera entre a imagem de Hachi parecendo sonhar e as lembranças felizes, até o que seria a retribuição por toda sua lealdade e carinho nascida em uma noite com neve. Pois o nome Hachi significa também "aquele que vem do céu á terra e depois retorna ao céu.".


Um filme encantador e triste, que merece ser contemplado e refletido.

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