17 de abr de 2010

Poemas de Lewis Carrol


" Tudo tem uma moral: é só encontrá-la."


 Essa frase escrita por Charles Lutwidge Dodgson mais conhecido pelo seu pseudônimo Lewis Carroll, talvez se torne extreemamente elucidativa para que possamos analisar corretamente os três poemas escritos por ele em sua duas obras mais célebres: Alice no Pais das Maravilhas e Alice no País do Espelho.
  Aqui, transferimos estes três poemas traduzidos corretamente, deixando que o leitor tire suas próprias conclusões.



Poema Contido em Alice no Pais das Maravilhas

  "Juntos na tarde dourada
   Suavemente a deslizar,
   Nossos remos sem destreza,
   Dois bracinhos a manejar,
   Pequeninas mãos que fingem
   Nossa direção guiar.

   As Três cruéis! Nesta hora,
   Sob este sonho de tempo,
   Implorarem por histórias
   Com o mínimo de alento!
   Mas o que pode apobre voz
   Contra três línguas sedentas?

   Proclama Prima, o edito
   "Comece!" diz sobranceira.
   Mais gentil, Secunda espera:
  "Que não contenha asneira!"
   Tertia a cada minuto
   Detém o conto, faceira.

   E de repente o silêncio,
   Com os passos da ilusão
   Perseguem a criança - sonho
   Pelas terras da invenção,
   Falando a seres bizarros...
   Uma verdade, outra não.

   E assim que a história secava
   As fontes de fantasia,
   Em vão tentava o cansado
   Desfazer o que tecia,
  " Mais, só depois..."  "É, depois!"
   Gritavam com alegria.

   Forjou-se assim, lentamente,
   O País das Maravilhas,
   Está pronto, para a casa
   Já foi virada a quilha
   Pela alegre equipagem
   Sob um sol que já não brilha.

   Com mão gentil, entre os sonhos,
   Alice! Guarda este conto
   Na memória da infância,
   Sob seu místico manto,
   Grinalda que um peregrino
   Colheu em terras de encanto."

~*~


Poemas Contidos em Alice no Pais do Espelho


" Criança pura, de olhar despreocupado
  E rosto sonhador de maravilhas!
  Embora o tempo seja rápido e suas trilhas
  Por meia vida nos tenha separado,
  Teu sorriso contentew saudará as baladas
  No dom de amor deste conto de fadas.

  Teu rosto radiante não vi nem verei,
  Nem hei de escutar teu riso argentino:
  Jamais pensarás do autor no destino.
  Em tua juventude lugar não terei.
  Mas basta que agora escute as baladas
  Singelas, contidas em meu conto de fadas.

  Num tempo distante ocorreu esta história,
  Quando o sol de verão brilhava feliz.
  Um toque de sino que agora nos diz,
  Num ritmo leve que traz á memória
  Os ecos da infância e faz relembrar
  O que a inveja da idade preferia apagar!

  Escuta-me agora, pois a voz do pavor
  De notícias amargas virá carregada;
  Em breve a teu leito será convocada
 A mulher melancólica de luto e temor.
 A hora do leito é como o fim da vida;
 Somos apenas crianças mais velhas, querida.

  Há geada lá fora, há neve cegante,
  Os caprichos do vento, a feroz tempestade;
  Mas no ninho infantil em que a felicidade
  Se aquece á lareira de luz crepitante,
  Tua atenção será presa pelas palavras mágicas
  E não hás de temer as rajadas mais trágicas.

  Se enfim a sombra esquiva de um suspiro
  Profundo tremular ao longo da história,
  Dos dias de verão pela perdida glória,
  Não poderá afetar, com tristezas aladas,
  A alegria e o frescor deste conto de fadas. "


~*~

 " Um barco navega, sonhando, contente,
   Na tarde de julho - e o sol, complacente,
   O mar ilumina em fulgor resplandente...

   Crianças felizes, na praia abrigadas,
   Num grupo de três, a escutar, encantadas,
   Um simples relato de lendas douradas...

   Desbotam memórias a cada arrebol
   Dos ecos arcanos do antigo farol -
   As geadas do inverno mataram o sol!...

   O fantasma de Alice assombra-me ainda,
   Debaixo dos céus se movendo - tão linda!
   Na terra invisível dos sonhos infinda...

   Somente crianças, ao ouvirem a história,
   Com olhos ansiosos, atentas á glória,
   Percebem o ouro no meio da escória...

   E fazem seus ninhos na Terra Encantada,
   Sonhando de dia e na noite estrelada
  Com mortos verões transformados em nada...

   E ao serem jogadas na estranha corrida
   É a mensagem dourada afinal percebida:
   Que a vida é umsonho e que o sonho é a vida!..."

~*~


3 comentários:

Rubi disse...

Grande Lewis!
É difícil fazer um comentário sobre Alice; a Disney conseguiu transforma-la numa das personagens mais queridos do cinema (animado). A primeira versão de 1903 (se você for fã de Alice, eu recomendo) embora bizarra, é ótima, afinal de contas, tudo começou ali HAHAHAHA Se não me engano, tem uma outra versão antes da disney de 1915. Caso se interesse, dê uma olhada. (Essa de 1915 me deixou meio assustada, os efeitos são bem ... estranhos HAHAHAHA)Mas sem dúvidas a versão de 1951 foi a melhor, também, vindo dos Estúdios Disney não se podia esperar outra coisa.

Quanto a de Tim Burton, é aquela coisa né ? Ficou faltando em algumas partes e sobrando em outras. Enfim; tudo isso graças a Lewis Carroll; sem ele, certamente não existiria algo parecido. Simplesmente genial o trabalho dele.

Adorei o post!

Rubi disse...

Opa, me esquci HAHAHA
O filme do Nosferatu é ótimo mesmo. Já assisti diversas vezes. Quanto ao que me indicou, estou pra assistir já faz algum tempo. Uma pena que não se fazem mais filmes como os de antigamente, não?

Até mais!

Tsu disse...

Oi Rubi!!!
Olha eu não vi essa versão de Alice in WOnderland de 1903..você saberia onde posso baixar? Eu aodro produções bizarras e Alice tem tudo para ser explorado desse jeito. Tenho os livros em casa (País das Maravilhas e País do Espelho) e certa vez entrei em um site excelente dedicado á obra, com muitas informações históricas e referências. É sensacional o que Lewis Carrol fez, deixando muita coisa subtendida ali. E você já viu as fotos da Alice Lidlle? Elap osa sensualmente para as fotos por isso que eu acho que aquele boato dela com o Carrol é verdadeiro! Os poemas que coloquei no post são a prova disso.

Ah Nosferatu é um classico impagável. Muitas décadas depois fizeram um "remake" com falas e cores porém nem chega aos pés do original. Aquilo tinha uma atmosfera que só o cinema mudo e o expressionismo alemão eram capazes de fazer.
Bom, é uma pena que não façam mais filmes como esses. O terror de hoje é banhos de sangue e efeitos especiais, não permitem que sua mente trabalhe e crie hipóteses. Acho que Polanski foi um dos últimos diretores a fazer um filme de terror para se imaginar, como o Bebê de Rosemary e O Nono Portal.

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