2 de mai de 2010

FanFics - Divinos Pecados - capítulo 11


Você

~*~

Eles não sabiam á quanto tempo já estavam ali, mas isso não importava. Não havia necessidade de palavras, justificativas ou questionamentos. Aquilo era unicamente um momento.

Acariciavam-se com intimidade e os beijos trocados eram um misto de carinho, desejo e paixão desenfreada. Não eram mais amigos. Não eram mais professor e aluna. Não eram mais companheiros de equipe. Eram Kakashi Hatake e Sakura Haruno. Nada mais.

Sakura deixou-se levar pelos toques e sem que percebesse, já estava sentada no colo dele, envolvendo os braços em torno de seu pescoço para massagear com as mãos os cabelos platinados. Como era possível que aqueles beijos pudessem deixá-la com o próprio corpo tremendo de desejo? Kakashi não a estava estimulando ou tentando avançar nas carícias, pelo contrário. Estava muito mais comportado do que aquela vez no navio.

E isso só a deixava ainda mais excitada. Kakashi sabia que já havia aceitado seguir por um caminho sem volta e ao sentir o gosto daqueles lábios, pouco se importava com o que os outros dissessem.
O único problema, concluiu enquanto suas mãos acariciavam as coxas e o ventre da kunoichi de forma sugestiva, era ser capaz de controlar seus impulsos.

Com Sakura deveria proceder com o máximo de cautela, pois havia muita coisa em jogo do que simples tesão. Com ela não poderia agir da mesma forma com que agia com as outras mulheres afinal...

Como delimitar onde o amor fraternal acabava e onde o amor apaixonado começava? E como ser capaz de serem capazes de se preocupar com seus próprios sentimentos sendo que no momento havia prioridades relevantes para se preocuparem?

" Preciso fazer tudo com calma e consciência."

Sim. Por mais que fosse difícil, era isso que Kakashi deveria fazer. Por isso teria de se contentar apenas com beijos e carinhos. Não iria avançar pois Sakura estava um pouco insegura, podia sentir. E sabia por aqueles toques trêmulos e a forma como o próprio corpo dela reagia ao seu, que ela era quase que totalmente inexperiente.

E isso o deixava estonteado.

- ...eu quero mais, Kakashi.

A voz de Sakura em seu ouvido era de uma sensualidade que ele jamais havia imaginado vindo dela. Encarou a garota, percebendo que falava sério. Assistiu a jovem jogar os cabelos para trás com um gesto da cabeça e o fitar com aqueles olhos verdes de pupilas douradas.

"Pupilas douradas?"

Esqueceu-se desse detalhe quando ela lambeu e mordeu seu pescoço, fazendo-o gemer pela primeira vez.

Sakura não queria pensar em nada. Sabia que estava sendo muito mais ousada do que deveria mas não era capaz de evitar. E percebia que ali com Kakashi, não sentia-se nervosa ou pensando no que deveria ou não fazer.

Aquela vez com Sasuke havia sido diferente e fria...os beijos do herdeiro Uchiha eram agressivos como ele e os toques cariciam daquela delicadeza do copy ninja. Talvez por isso tivera evitado.

- ...você gosta de mim, Kakashi-sensei?

Ele riu, brincando com uma mecha de cabelos róseos.

- Gostarei mais se não me chamar de "sensei".

Sakura sorriu constrangida e fechou os olhos, inclinando sutilmente o tronco quando ele começou a descer o zíper de sua roupa e acariciar cada parte de seu corpo.

" Como ela consegue ser tão ingenuamente sedutora?"

Isso bem que poderia ser uma tática de sedução mas Kakashi não tinha certeza e queria livrar-se de uma pequena dúvida primeiro. Subitamente puxou Sakura contra si, fazendo-a estremecer e soltar um gritinho ao perceber o quanto ele já estava excitado.

"Oh, céus. Ser o primeiro homem dela é bom demais pra ser verdade."

Sakura manteve as mãos entre os cabelos prateados sem saber ao certo se deveria ou não deixar que as coisas acontecessem.

Suas dúvidas foram interrompidas quando Kakashi a envolveu em seus braços de uma forma carinhosa que fez a jovem sentir-se tão completa que mais nada importava.

Seria perfeito porque Kakashi faria com que fosse.

- Eu estou em suas mãos, Kakashi.

- ...e eu estou nas suas, minha querida.

Verdes sobre negro e vermelho. Sakura tocou a cicatriz sobre o olho do esquerdo.

- Não quero que seja uma ilusão.

Ele sabia que se referia ao Mangekyou Sharingan.

- Fique tranquila. Eu não seria tolo em fazer isso. E não se se preocupe, ficará tudo bem.

Aquelas palavras fizeram Sakura relaxar, permitindo que Kakashi a pegasse no colo e a levasse em direção ao quarto. Quando sentiu a maciez dos lençóis, ela acanhou-se. Então aconteceria mesmo? E seria com seu professor?

Era ainda um pouco estranho vê-lo sem a máscara, de certa forma era um rosto desconhecido exceto pelo sharingan. O assistiu se livrar da camisa e desabotoar a calça. Como se não bastasse o rosto - pensou enquanto mordia o lábio inferior - Kakashi ainda tinha um belo corpo marcado com cicatrizes de muitas lutas. O abraçou quando sentiu seu peso sobre si.

Em sua vida, Sakura tivera apenas dois homens e a maneira como a tratavam era completamente diferente. Era como se fosse Kakashi aquele que iria torná-la mulher. Mas o preço que pagaria seria a perda definitiva de seu sensei.

No futuro, Kakashi se tornaria apenas a lembrança de uma aventura.
A certeza desse pensamento fez Sakura abrir os olhos e encará-lo. Acariciou o rosto másculo com a ponta dos dedos e sentiu ele avançar por seu corpo com as mãos. A kunoichi não conteve um gemido quando ele tomou um de seus seios nos lábios enquanto a estimulava com os dedos.

Kakashi sorriu ao perceber que Sakura já era completamente sua. Todo o desejo que nutria por ela poderia agora ser consumado porque ela o queria.

Talvez fosse prazer ou dúvida o que lhe assolavam agora mas por alguma razão, Sakura sentia sua mente se anuviar, confusa com o prazer e o sentimento. De olhos fechados procurando entender a si própria, seria correto abandonar aquele sentimento antigo por esse que surgira subitamente. Esquecer alguém era realmente tão fácil assim quando temos alguém que se preocupe conosco? Onde estavam agora suas ilusões e contos de fada? Era tudo falso e passageiro mesmo? Seu amor por "ele" não era amor de verdade? Por quê tudo era tão confuso?
Murmurou para si.

- ..meu amor...

Kakashi sorriu diante daquelas palavras.

" Minha. Somente minha."

- ...Sasuke.
~*~

Shikamaru Nara parou na sombra de uma barraca de souvenirs para recuperar o fôlego, bebendo um pouco da água que havia comprado minutos atrás.

O calor de Karnak ficava mais insuportável á cada minuto e pela primeira vez desde muito tempo, ele estava nervoso. Quando essa missão terminasse, não voltaria á Karnak tão cedo. Se possível, não voltaria nunca mais. Seus olhos perspicazes procuravam-na em meio á multidão mas ele sabia que seria inútil.

"Ino idiota! O que passa na cabeça dela em sair por ai sozinha? Todos sabem que em Karnak, mulher branca e jovem é alvo de todo tipo de ação criminosa! A Ino nunca pensa nos riscos por ser muito impulsiva e suas habilidades ninjas são um fiasco se ela for encurralada por uma quadrilha. Mendukouse! Como vou encontrá-la?"

Sua visão foi direcionada para uma gigantesca abóbada que se sobressaía entre todas as demais construções da cidade e, como um estalo, Shikamaru soube que deveria ir para lá. Afinal, Ino desejava muito conhecer os templos antigos e levando em consideração a vontade dela em ir até onde os shinobis de Suna estavam, certamente era o Templo da Sagrada Deusa.

Já passava do meio-dia quando a cerimônia ritualística finalmente acabou. A iniciação do Kazekage nos Mistérios era um ritual bonito de se ver, repleto de simbolismos e ela mesmo se surpreendeu com a força espiritual que ainda jazia no corpo de seu irmão caçula.

Porém, tudo isso mais o jejum que ele manteve por quase dois dias para participar do ritual o havia deixado exausto. Embora Gaara continuasse com o semblante impassível de sempre, Temari era capaz de notar o cansaço dele pesla palidez maior do que a habitual. Pelo menos ele havia se livrado daquele traje cerimonial e a coroa faraônica.

- Vamos voltar ao hotel? - indagou ela com suavidade.

- ...sim.

Gaara se levantou devagar mas desistiu, tornando a se sentar.

- ...iremos daqui á pouco.

- Tudo bem.

" Aquele ritual realmente gastou quase todo o seu chackra."

Os dois ficaram em silêncio e então Temari notou uma silhueta familiar que irrompeu ao final do corredor e caminhou com passos apressados ao localizá-los. A kunoichi pôs-se de pé e Gaara apenas se limitou a encarar o intruso com a sobrancelha franzida.

- ...finalmente os encontrei.

- O que você está fazendo aqui?

- Oê, um "olá" seria mais educado! - resmungou Shikamaru para a loira.

Ela corou emburrada, percebendo que havia exagerado na grosseria.

- É que o templo está interditado para visitas hoje, afinal a cerimônia é apenas para os Iniciados.

- É, eu fiquei sabendo. E não foi nem um pouco fácil conseguir convencer os seguranças do local. Sério, eles são mais desconfiados do que a Anbu e se eu não tivesse boa lábia teria sido detido!

- Feh. - Temari colocou ambas mãos na cintura com um sorriso orgulhoso. - As pessoas de Konoha subestimam demais as pessoas de Suna. E cometem grandes erros quando subestimam as capacidades de Karnak.

Shikamaru estava para iniciar um debate com a loira mas desistiu, pois tinha assuntos mais importantes a tratar.

- Seguinte, a Ino passou por aqui?

Temari franziu as sobrancelhas. Por que ele estava falando daquela mimada?

- Não. - disse, seca. - Eu acabei de dizer que o templo está fechado para visistas hoje.
 
" Maldição! A Ino vai entrar em confusão na certa!"

- Aconteceu alguma coisa?

- Bom, não necessariamente. - respondeu ele ante a pergunta de Gaara. - É que a Ino resolveu sair sozinha por Karnak. Ela disse que viria aqui no templo mas como está fechado, presumo que acabou indo passear nas ruas da cidade.

- Você deixou ela andar sozinha pela cidade nesta confusão?!

A pequena onda de ciúme havia cedido á preocupação. Temari, assim como todas as pessoas normais de Suna, sabia que Karnak, por não possui qualquer influência ninja e ser patrimônio histórico da humanidade era um lugar altamente perigoso para visitantes despreparados.

Não eram poucos os relatos de pessoas - na maioria turistas - que haviam sido vítimas da violência urbana de Karnak. A polícia recebia diretamente inúmeros casos que variavam desde um simples assalto até sequestro para tráfico de orgãos.

Para piorar a situação, as autoridades faziam “vista grossa" para a maioria dos casos, colocando sempre como prioridade os patrimônios históricos da cidade e preferiam acobertar certos casos para não prejudicar o turismo, responsável por 90% da economia de Karnak.

Toda cidade bela por fora é podre por dentro.

- Shikamaru,você endoidou? - rosnou Temari. - Aquela garota não conhece nada desta cidade, é o padrão perfeito para criminosos!

- Eu sei, eu sei! Tentei impedí-la mas ela não me deu ouvidos e se meteu no meio da multidão e eu a perdi de vista!

Ele estava visivelmente preocupado e com razão.
Temari sabia o que poderia acontecer. Ino Yamanaka era extremamente bonita e atraente, se deslumbrava facilmente como qualquer turista e se caisse nas mãos de uma quadrilha...

" Melhor nem mencionar essa possibilidade..."

Temari não precisava mesmo falar pois Gaara compreendeu e, como se recuperasse a disposição, levantou-se dizendo com firmeza:
- Ordenarei que a polícia inicie as buscas e nós iremos nos separar para ajudar. Se for necessário farei com que as autoridades de Karnak coloquem a segurança de Ino Yamanaka como prioridade!

"E dá-lhe o poder influente do kazekage..."

Temari não pôde deixar de se surpreender com a atitude do irmão. Era a primeira vez que via o racional Gaara agir daquele modo. Desde quando ele se preocupava - sim, havia preocupação naqueles olhos verdes - com uma garota que, praticamente, acabara de conhecer?

Á não ser que...não, não era possível. Era precipitado demais que Gaara...

Se recordou da tarde no museu em que os vira na mesa da lanchonete.
Ele a olha da mesma forma que você olha o Nara.

- Temari. - a voz do irmão a tirou de seus devaneios. É melhor que você e Shikamaru vasculhem juntos a área do mercado central. Eu irei na direção norte onde é mais arriscado.

- ..h-hai.
~*~

Ino Yamanaka estava deslumbrada com tudo á sua volta. Embora estivesse sozinha, havia se esquecido completamente de suas neuras. Pelo visto deixar Sakura se pegando com Kakashi e Shikamaru falando sozinho haviam sido as melhores coisas que tinha feito desde que chegara. Eles não tinham o mesmo pique que ela para compras e passeios turísticos e Ino não era tola em perder a chance de conhecer o que queria só por causa deles.

Seus braços já estavam ocupados com várias sacolas contendo roupas, acessórios e presentes. Muitas das peças havia ganho de comerciantes que não cansavam de elogiar sua beleza e simpatia com o intuito de que ela gastasse mais em mais em suas lojas ou barracas. Ino sabia disso e com sua lábia tirava proveito.

"Quem diz que a aparência não é útil?"

Realizando seu hobby preferido, perdeu a noção do tempo e quando se deu conta já era quase fim de tarde.

" Kuso! Estou atrasada pra festa no hotel! Ainda preciso me arrumar!"

Ajeitou as sacolas nos braços, contente por ter conseguido um belo traje de dança para participar da apresentação. Seus amigos não iriam acreditar como ela conseguira entrar no grupo de dança que se apresentaria ás pessoas mais importantes de Karnak.

"Espero que ele me veja dançando."

Ino suspirou. Tudo bem que ela era uma pessoa auto-confiante e positiva, mas era consciente o bastante que até o otimismo tem limite.

" Ficar com o kazekage só mesmo nos meus sonhos..."

Deu de ombros, deixando de se preocupar com aquilo. Não deveria ficar ocupando seu pensamento com coisas que jamais se concretizariam pois isso só acarretaria problemas.

O sol estava insuportável e Ino sentiu que sua pele queimava mesmo estando a usar protetor solar. Além do que já estava cansada. Para seu azar, não conseguia encontrar qualquer ponto de referência para saber onde estava. Parou em um canto e tratou de abrir o "Guia Oficial do Turista de Karnak" que surrupiara de Kakashi, para se localizar através do mapa no fim do livro.

"Hum...eu estou bem longe do hotel. Assim vou acabar atrasada...ah, acho que dá pra pegar um atalho se eu seguir esse outro caminho que não pertence aos comércios."

Aprovando a própria idéia, pegou as sacolas e enveredou por um caminho estreito com poucos comércios e inúmeras construções abandonadas.

Não havia caminhado muito quando avistou alguns metros á frente, dois homens de aparência suspeita e mecanicamente ela adentrou em uma ruela á esquerda. Sentiu presenças próximas e tratou de apressar o passo, colocando o óculos escuro sobre a cabeça.

"Isso sempre tem que acontecer justo comigo, droga!"

Procurou manter a concentração e, quando avistou uma certa movimentação nas proximidades, tratou de adentrar em outro caminho.

Sabia que estava sendo encurralada, forçada a seguir cada vez mais por dentro daquele labirinto de ruas estreitas, vazias e sinistras. Sentia seu coração bater acelerado e repetia para si mesma que mantesse a calma, afinal para todos os efeitos, era uma chunnin.

" Mas de que me serve isso se eu tive a sorte de nunca correr perigo de vidsa sozinha? Nos momentos mais difíceis eu sempre tive do meu lado alguém que sabia que me protegeria dos inimigos. Pessoas fortes e inteligentes nas quais eu confiava e criava coragem para encarar as missões, não importava qual fosse. Asuma-sensei, Chouji, Shikamaru, Naruto, Shizune-senpai, Kiba, Shino, Kakashi-sensei, Sai....até mesmo a Sakura.
Nunca pensei na real hipótese de ser encurralada e violentada por inimigos porque eu nunca estava sozinha! Sempre tinha alguém do meu lado para me proteger! Maldição!"

Seus pensamentos foram interrompidos quando um corpo jogou-se sobre si violentamente, fazendo-a cair no chão de pedra e as sacolas se espalharem. Soltou um grito quando quatro mãos fortes seguraram suas pernas e braços.

- HAH! ME SOLTA!

Acometida por uma súbita onda de desespero diante do rosto horrendo daqueles homens desconhecidos, Ino reuniu uma força que não conhecia, golpeando-os com extrema agilidade e violência.

Porém, não era boa em taijutsu e estava em evidente desvantagem. Golpeou novamente um dos homens e soltou um grito quando outro puxou seu cabelo com força tal que a fez cair no chão. Suas costas latejaram quando se chocou contra o concreto e a dor lanciante fez seu corpo desfalecer.

" Maldição! Não consigo me mexer direito! Eu tenho que lutar, não posso deixar que esses bastardos estraguem minha vida! Droga, alguém me ajuda eu não mereço passar por isso!"

Ino não ouvia as coisas que eles diziam. Não queria ouvir ou isso a deixaria ainda mais desesperada.

Quando sentiu que estavam começando a lhe arrancar a roupa, feito um animal acuado ela reagiu de fúria e medo. Sem nem compreender como conseguiu se desvencilhar, disparou desnorteada pelas ruas. Não sabia qual direção seguir para sair daquele inferno e só sabia que tinha de correr o máximo que pudesse.
Ouvia os homens atrás de si, mas seu corpo doía e sabia estar machucada mas não poderia parar para se curar.

" Esse lugar parece não ter saída! O que vou fazer, já estou perdendo as forças..."

Muitas pessoas não acreditam em coincidências e destino. Ino Yamanaka era uma delas. Isso até aquele momento. Quando tudo parecia perdido, ela o viu. Surgindo quase que subitamente por entre as vielas poucos metros á frente.

Foi como se todo o medo e desespero se extinguisse. Esquecendo-se completamente de quem ele era e como era possível que naquela cidade tão grande e confusa pudesse encontrá-lo justamente no momento que mais precisava, Ino Yamanaka não passou a acreditar apenas em destino ou coincidência.

Agora acreditava em milagres.

- GAARA-SAMA!!

O kazekage parou no momento que ouviu o grito. Quando Ino correu em sua direção e se jogou em seus braços, ele ficou completamente sem reação.

Tudo ficaria bem agora, Ino sabia.

- Eles...eles tentaram me violentar!

Ela nem precisava dizer aquilo pois ele era capaz de ver nitidamente. A quadrilha, acreditando que aquele ruivo franzino não oferecia ameaça alguma, se aproximaram com sorriso de escárnio.

- Veio assistir a gente se divertir com sua namoradinha?

A areia envolveu os quatro homens, erguendo-os a alguns metros do chão. Assustados, tentaram se debater e se livrar da camada de areia que apenas os envolvia mais e mais. Não compreendiam o que realmente estava acontecendo pois nenhum daqueles dois pivetes se moviam, apenas os observavam. Ela, com assombro e ele, impassível.

Mas, no instante seguinte, quando o ruivo estendeu uma das mãos na direção dele, nada mais teria importância.

- Sabaku kyu!

Simples assim.

Ino ainda custava para assimilar o que havia acontecido. Em um instante estava prestes a ser estuprada por homens desconhecidos e no outro os homens estavam mortos e despedaçados á sua frente. Eliminados sem qualquer ruído exceto o da areia se espalhando.

O pesadelo havia acabado. Mais uma vez ela tinha sido salva. Graças aos deuses. Graças ao kazekage.
- obrigada...obrigada!

O abraçou mais uma vez com força, esquecendo a timidez ou as aparências. Estava aliviada, salva. E era isso o que importava.

Foi então que percebeu o que fazia e afastou-se constrangida. Procurando disfarçar o vermelhidão no rosto, Ino procurou olhar em outra direção e deteve-se nos corpos mutilados. Estremeceu. Com uma facilidade sobre humana Gaara matara sem qualquer esforço. Mesmo sem o shukaku ele não tinha qualquer hesitação em matar uma pessoa.

- ...isso a assusta?

Era a primeira vez que via Sabaku no Gaara fazer esse tipo de pergunta. E, mesmo que não compreendesse o por quê, Ino sabia que havia, naquela pergunta, muito mais do que parecia. E a resposta que deveria dar seria a mesma para a outra pergunta que se mantinha oculta.

Gaara sempre seria um enigma. E ele estava lhe oferecendo a chance de aprender a decifrar esse enigma.

Ela então sorriu, recolocando sua máscara de vitalidade e disse, com ambas mãos na cintura.
- Eles mereceram. Portanto, não devem ter consideração da parte de ninguém. Hãn... - virou-se para o ruivo. - Será que poderia me ajudar a recuperar as coisas que eu perdi pelo caminho?

- ...han...

- Eu me lembro onde estão mas são várias sacolas e, bem, depois daquilo eu estou muito assustada pra andar sozinha.
Pela primeira vez a loira constatou que o rosto do kazekage se suavizou, mas ele apenas murmurou.

- Tudo bem.

~*~
- ...Sasuke...

Foi como se um precioso cristal houvesse se estilhaçado em um chão de mármore.
Sakura abriu os olhos assustada, ciente do grave erro que acabara de cometer. Por quê dissera aquele nome? O olho negro eo sharingan a encaravam com assustadora friza.

"Fudeu."

A expressão de Kakashi era indefinível e, sem dizer qualquer palavra, levantou-se da cama, tornando a se vestir de forma apressada e mecânica. Sakura ainda ficou alguns segundos ali, deitada porém quando recuperou a consciência, ergueu-se da cama, indo na direção do copy ninja que já se encontrava na sala procurando a máscara que deixara cair.

- Ka- Kashi, e-eu...posso ex...

- Não diga nada, Sakura! Não precisa se justificar. Não há razão para tentar se justificar e eu não quero ouvir suas justificativas!

A garota estacou. Nunca ouvira esse tom de voz dele. Abaixou os olhos, envergonhada. O que a havia levado a dizer o nome daquele cara se era Kakashi quem ela queria?

"É ele mesmo quem você quer?"

- Kakashi, desculpe! Não sei o que aconteceu, eu não estava pensando nele! Eu estava com você!

- É, você estava comigo. - o tom de voz era sepulcral. - Mas sua mente estava em Sasuke Uchiha! SEMPRE está em Sasuke Uchiha! Os anos passam e você continua igual, a mesma tola! Só vê Sasuke Uchiha!

Era inútil manter o controle e viu os olhos dela encherem-se de lágrimas.

"Por que isso está me doendo tanto? Eu repetia o nome dela feito um mantra quando me deitava com as prostituas e agora que o papel se inverteu..."


" É seu orgulho ferido ou seu amor por ela que está causando toda essa ira?"

Kakashi passou a mão com força pelos próprios cabelos.

- ...me desculpa. - ela estava tremendo, cabisbaixa. - Eu não sei por que falei no Sasuke!

- Porque você ainda gosta dele. - ao dizer aquilo, Kakashi sentiu o próprio peito doer. - Não é sua culpa, esse tipo de coisa já aconteceu comigo. - tratou novamente se portar como sensei. - Sabe, ficarmos com alguém pensando e fantasiando estar com quem realmente queremos.

Aquelas últimas palavras atingiram Sakura como um tapa. Então era verdade? Depois de tudo que ele fizera, ela ainda era tola o bastante para continuar gostando de Sasuke Uchiha?

Não, não podia ser. Durante todo o tempo só pensava em Kakashi. Era esse nome que desejava falar pois era ele que realmente queria mas por alguma razão...

- Eu quero você! - gritou em prantos. - Eu gosto de você! Eu.,..

- Sakura. PARE DE QUERER MENTIR PRA SI MESMA!

- Eu não estou mentindo! "Não posso estar!"

" Viu o que acontece por você ter se apaixonado por ela? Amar alguém que não te ama é um castigo merecido para o canalha que você é."

- Acredite em mim, Kakashi. Eu não gosto mais do Sasuke!

- ...diga isso olhando nos meus olhos.

A kunoichi estremeceu. Aquilo era um ultimato, a voz de Kakashi era assustadoramente fria. O encarou nos olhos pela primeira vez, sentindo seu coração palpitar.

" Eu...eu...'
Sou uma pessoa desprezível.

Ela queria dizer oque o homem á sua frente desejava ouvir. E precisava dizer, pois queria ser envolta novamente naqueles braços aconchegantes e receberseus toques carinhosos.

Mas não conseguia.
" Por quê?"

Kakashi já previa aquela reação. Tocou a cabeça da kunoichi com uma das mãos, na clara demonstração de carinho fraternal e Sakura soube que tudo estava se perdendo para sempre.
- No fim, tudo sempre foi uma ilusão que tentamos fingir ser realidade.

" Não! Não! Não!"

Sakura sentiu que ele saía, fechando a porta atrás de si. Sozinha. As lágrimas desceram silenciosas.

" O que foi que eu fiz?"


~*~


Divinos Pecados - índice

3 comentários:

Kika disse...

Adorooooo :o
Tu ainda há-des escrever um livro *.*

Tsu disse...

escrever um livro é o meu sonho de vida...

Leka disse...

Caraca...a Sakura tá doida mesmo!kkkk! Depois de tudo que o sasuke fez...deu vontade de esganar ela agora!kkkk!
bjs e paz!
http://guerradosmundosleka.blogspot.com/

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