21 de jan de 2011

FANFICS Naruto - DIVINOS PECADOS - capitulo 20

Reincidente

~*~

" O que realmente aconteceu?"

Era isso o que todos se perguntavam desde que recobraram a consciência, Quando haviam despertado apos a batalha no templo, já era de manhã e tão logo todos haviam colocando-se de pé ouviram o ruído de pessoas que começavam a adentrar no local - provavelmente policiais - que procuravam saber o que acontecera.

Não foi preciso que o grupo trocasse qualquer palavra para decidirem o que fazer. Saíram do lugar sem que ninguém de fora percebesse e só quando chegaram á um lugar deserto é que pararam um pouco para conversar.

- Bom, acho que primeiro devemos achar um lugar decente para conversar. - Shikamaru falou, tomando a iniciativa e seus olhos fitaram os dois shinobis da areia. - Creio que vocês precisam dar alguma explicação para as autoridades de Karnak.

- Isso ficará para depois. Mesmo que nossos ferimentos estejam curados, todos estamos exaustos.
- Gaara tem razão. - Temari continuou. - Além do mais, como poderemos explicar algo para eles sendo que nós mesmos precisamos de explicações?

- Sakura, você está se sentindo bem?

A pergunta de Kakashi fez os demais olharem para a kunoichi nos braços do ninja. Desde que haviam despertado, Sakura parecia visivelmente fraca, como se toda a sua energia houvesse sido sugada á ponto de ela não se aguentar mais em pé.

- Não sei...e-eu...não consigo manter meus olhos abertos...por alguma razão cada minuto que se passa me faz esquecer mais e mais tudo o que acon...

Ela não terminou a frase pois sentiu sua consciência minguar e logo adormeceu.
- Sakura. Hey, Sakura!

- ...tudo bem, Kakashi-sensei. - tranquilizou Ino verificando a amiga. - Ela está cansada, muito cansada.
Tudo aquilo, a luta com essa coisa dentro dela certamente gastou todo o seu chackra. Sakura precisa de repouso e quando chegarmos no hotel irei cuidar dela com minhas habilidades médicas.

- Eu sei o que o preocupa, Kakashi-san. - Gaara mantinha o olhar distante. - Teme que ao despertar tenha novamente de encarar a fúria de Astarte, mas isso não acontecerá.

- Como pode ter certeza?
- ...apenas acredite. Talvez basta crer para as coisas acontecerem.

Kakashi não concordava com aquilo, mas não retrucou. Quando Sakura estivesse melhor, todos iriam conversar sobre o que acontecera e certamente encontrariam uma resposta plausível. Afinal, ele sentira a morte, sabia que por um momento morrera e de repente estava ali como se tudo não passasse de ilusão.

" Não me darei por satisfeito até descobrir tudo."

~*~
- Bom, assim como aconteceu conosco, não há qualquer dano físico em Sakura. Não posso dizer quanto á mente dela, mas acredito que o pesadelo já acabou.

- Independente disso creio que devemos pensar no que fazer agora.

- Ah não, Temari-san! - choramingou Ino sentando-se na cama ao lado de Sakura. - Eu estou exausta, minha cabeça vai explodir e eu gostaria de poder tomar um banho e comer alguma coisa para relaxar um pouco!

- Relaxar?! - a outra se enfureceu. - Não é hora de pensar nessas trivialidades, temos coisas de extrema importância para fazer e discutir! Temos de partir ainda hoje para a Floresta Proibida pois depois do que aconteceu não podemos correr mais riscos!

- ..eu pensei que essa viajem maluca para a tal Floresta poderia ser adiada um pouquinho, afinal a Sakura, que é a verdadeira razão de estarmos aqui, não tem a mínima condição de atravessar o deserto agora.

- Não podemos pensar só nesse lado. Eu e Gaara também temos assuntos na Floresta Proibida e...devemos cumprir o prazo que nos foi dado.

- Prazo? Como assim?

Shikamaru estava parado ao lado da porta com os braços cruzados. Ao vê-lo encará-la daquela forma austera e desconfiada, Temari estremeceu e não foi de receio. Olhou para Gaara, procurando algum apoio ou explicação para aquele assunto mas o irmão estava impassível, olhando para Ino Yamanaka que retribuía o gesto, constrangida. Aquilo enfureceu Temari e ela tratou de falar o que achava que deveria.

- Quando fomos informados da missão envolvendo o poder de Sakura e tudo o mais, tanto eu quanto o Gaara aceitamos a missão não referente á aliança entre Konoha e Suna como provavelmente ocorreu com vocês, mas sim por mensageiros diretos da Floresta Proibida. Caso contrário, o kazekage jamais abandonaria a própria vila para isso.

- Pelo visto vocês sabem mais coisas do que nos contaram. - Kakashi estreitou os olhos. - Acaso possuem uma outra missão além daquela que envolve a Sakura?

- Não chega á ser uma missão, mas um pedido. - explicou Temari. - Os mensageiros da Floresta Proibida trazem mensagens diretas da Santa Deusa e Ela pediu que fôssemos ao local escoltando Sakura e que chegássemos antes da primeira lua nova, que já é amanhã. Temos que nos apressar.

- Amanhã? Duvido que conseguiremos chegar dentro desse prazo sendo que, pelo que sei, a Floresta Proibida se localiza " além do deserto infindável".

Temari pareceu não gostar da forma como Shikamaru enfatizou as últimas palavras mas Gaara, parecendo finalmente afastar os olhos de Ino, encarou o jounin.

- Não se preocupe,. Quando chegarmos ao deserto, logo estaremos na Floresta Proibida, pois estou apto para abrir a passagem. u irei falar agora com o conde de Karnak sobre o ocorrido e creio que não precisarei entrar em detalhes.
- Então eu irei com você.

- Não, Temari. Preciso que verifique os meios de transporte que nos levarão até o deserto.

- Esta parte já está concluída, só é preciso buscar os animais, - revelou a jovem. - Precisamos tranquilizar as autoridades de Karnak e gostaria de acompanhá-lo para agilizar esse serviço.

- Temari, você precisa descansar.

Aquela era a primeira vez que Gaara demonstrava esse tipo de preocupação com a irmã. Por mais que Temari demonstrasse disposição e força, ele era capaz de perceber que a jovem estava exausta. E não era á toa pois de todos ela fora a que mais usara chackra na batalha contra Astarte.

- Deixei que eu cuido dos transportes e falo com as autoridades, Pode não parecer mas eu sou um bom orador. - Shikamaru coçou a nuca. - Eu só vou trocar de roupa afinal não dá pra sair com essa roupa social toda suja e amassada.

- ...aproveite e descanse um pouco, Ino. Eu ficarei cuidando da Sakura.

A loira olhou para Kakashi e pensou em dizer que não teria como tomar banho e descansar com ele naquela suíte, mas desistiu. Depois do acontecido era mais do que justo que Kakashi ficasse ao lado de sua amiga.

Quem sabe agora ele finalmente poderia corresponder ao que Sakura estava sentindo?

" Droga, mas agora para onde vou? Shikamaru poderia ter sido cavalheiro e cedido para mim o aposento que ele divide com o Kakashi-sensei!"

Como se sentisse observada, Ino percebeu que Gaara a encarava e quando ele parecia falar algo, Temari foi mais rápida.

- Pode descansar no meu quarto, Ino. Só trocarei de roupa porque não vou conseguir descansar mesmo que me obrigassem. Pegue uma muda de roupa e vá.

Ino não contestou. Em outras ocasiões não teria aceitado aquela ordem passivamente porém, além de estar consideravelmente abalada por tudo que acontecera, Temari não parecia nem um pouco disposta a aceitar contrarreações, especialmente da garota que ficara com seu irmão.

Pegou rapidamente uma roupa e logo saiu, acompanhada por Temari, não percebendo que Gaara a seguia com os olhos. O kazekage não aprovou a atitude da irmã mais velha pois em seu íntimo queria ter oferecido seu aposento particular para que Ino descansasse mas talvez tenha sido melhor e correto não ter falado nada. Quando já estava de saída, a voz de Kakashi o deteve.

- Como pode ver, foi possível evitar uma tragédia sem ter que sacrificar ninguém.

Gaara o encarou, o rosto desprovido de qualquer emoção.

- Não existe labirintos dos quais não se possa sair. - continuou o ninja de cabelos prateados. - Eu sabia no fundo de minha alma, que não perderia Sakura. De certa forma o poder de Astarte a salvou eu acho e nossas vidas foram poupadas. É incrível, mas tudo acabou bem.

- ...só acabou bem por causa de um milagre. - os olhos verdes se estreitaram. - Nenhum de nós foi capaz de evitar nada e estamos aqui porque Ela nos poupou. Quando chegarmos á Floresta Proibida, lembre-se de agradecê-la.

Kakashi não compreendeu o comentário, mas antes que pensasse em perguntar, Gaara já havia saído, Deu de ombros, voltando sua atenção para a garota adormecida ao seu lado Mesmo depois de todo aquele pesadelo, era cruel demais que Sakura pudesse hospedar uma criatura maligna como aquela, mas suportá-la e sobreviver sem ter a sanidade destroçada. Sua aluna era realmente muito mais forte do que imaginava. Mais forte, talvez do que Naruto, Sasuke e até ele próprio.

Riu do próprio pensamento. Sakura tinha a mente forte, mas o corpo frágil como a for que leva seu nome.
A terrível lembrança de tudo que passara no templo sagrado e do encontro sinistro com Astarte voltaram-lhe a mente e ele procurou rapidamente afastá-las. Nesse momento queria um pouco de paz com a garota de cabelos róseos.

Baixou a máscara e tocou os lábios dela com ternura, depositando um beijo pelo rosto e pescoço. Suas mãos acariciaram os braços delicados e, enquanto seu rosto roçava no corpo da garota em um misto de ternura e paixão, a ouviu murmurar seu nome.

Sakura o fitava com os olhos verdes cansados.
- Gomen, meu bem. - deixou escapar. - Você precisa descansar um pouco.
- Eu não quero descansar.
- Você tem de descansar, Sakura. O pior já passou, continuaremos com a missão mais tarde.
Sakura piscou. Por um instante havia esquecido em como o rosto do seu sensei era belo. Mas então precisou que precisava esclarecer algo.

- A missão...a missão sempre foi apenas eu, não é?

- Desculpe por não ter lhe contado e obrigado os demais a fazerem o mesmo. Mas eu recebi ordens de não lhe dizer nada e pensei que isso era o certo a fazer.

- Se eu soubesse talvez aquilo não tivesse acontecido. - ela suspirou. - Fui eu quem buscou as respostas para o que estava me atormentando. Por causa disso fui ao templo.

- Qualquer pessoa no teu lugar teria feito o mesmo.

- Não. Eu...eu me deixei levar pelo medo de Astarte, por sua razão devido á mancha de seu passado. Kakashi, eu a libertei por vontade própria por alguma razão que agora eu não sei mais qual é.

- Não fique se martirizando por isso.

- Preciso ir á Floresta Proibida o mais depressa possível. Tenho de encontrar as respostas para tudo que soube, lá certamente vou lembrar de algo importante que a própria Astarte não me contou.

" Certamente lá descobrirei qual é o meu destino."

Sakura não disse as últimas palavras e m voz alta. Essa certeza lhe provocava uma ansiedade angustiante e, se o tempo pudesse parar, se pudesse voltar atrás...tinha certeza de que não era capaz de suportar o fardo daquelas responsabilidades que fatalmente viriam. Por mais que se considerasse forte, no fundo sabia que era fraca.

Notou que Kakashi ainda a encarava com aquele olho negro e o sharingan. Segurou seu rosto com ambas mãos o trazendo para um beijo. O que precisava agora era de conforto e carinho que só aquele homem poderia dar. Os beijos dele eram mágicos e a forma como os braços dele envolviam seu corpo lhe davam segurança.

Com movimentos sutis, Sakura estimulou Kakashi para que ele acariciasse certas partes de seu corpo. Gemia em seu ouvido cada vez que ele a tocava com mais intensidade e ambos já não se preocupavam com o fim de sua amizade, pois o que começava agora era muito melhor.

Segurando o zíper com os dentes, Kakashi abriu o uniforme da kunoichi, saboreando seus seios que, embora fossem um pouco pequenos eram incrivelmente macios. Sakura fechou os olhos e seus dedos adentraram por entre os cabelos macios de Kakashi e soltou um gemido de surpresa quando as mãos dele começaram a estimulá-la. Aquilo era agradável, mas Sakura recuou timidamente.

- Não se preocupe, Sakura. Não vou te machucar.

- N-não é isso, Kakashi-sensei.

- Oh, pensei que não me chamaria mais de sensei!

- Gomen... - ela corou, evitando encará-lo. - É que...- Sakura suspirou. - Eu...eu ..nunca fiz isso.

Kakashi permaneceu em silêncio e Sakura emburrou.
- Não me venha com piadinhas ou risinhos senão vai ouvir palavras desagradáveis. Eu sou porque eu quero e não porque não tive chance!

- Por que está achando que eu vou rir de você?

Sakura corou ainda mais.
- Ora porque...você é experiente, pode ter qualquer mulher. Não negue, eu sei que é verdade.

Kakashi arqueou sutilmente as sobrancelhas. Aquela era mesmo sua querida Sakura: repleta de vitalidade após um grande sofrimento.

Saiu de cima da jovem e sentou-se ao seu lado, esperando que ela dissesse algo, embora fosse evidente demais que Sakura estava constrangida para dizer qualquer coisa. Sakura sentiu a mão dele sobre sua cabeça daquela forma carinhosa que fazia na infância e isso a irritou.

- ...acha que eu ainda sou uma criança?

- Há muito tempo eu já não sou capaz de vê-la como uma criança, Sakura. Eu a vejo e a desejo como  mulher. Mas..tem certas coisas que você só deve fazer quando realmente desejar fazer para não se arrepender.

Aquilo pareceu livrar Sakura de um peso invisível. Abraçou Kakashi, beijando-o demoradamente nos lábios antes de sussurrar em seu ouvido.

- Quando eu estiver preparada, quero que seja com você, Kakashi.
- Fico honrado, meu bem.

~*~

Ino adentrou no aposento, notando que o quarto de Temari era quase idêntico ao que dividia com Sakura. Estava ainda com a mochila em mãos quando Temari encostou-se na porta fechada, mantendo os braços cruzados e o rosto austero.

- Agora que estamos á sós, quero ter uma conversa séria contigo.

- ...que tipo de conversa?

- Não se faça de desentendida, Ino Yamanaka! Vai me dizer agora o que está realmente querendo como kazekage! O que aconteceu entre vocês antes do despertar de Astarte?

- I-isso não te diz respeito!

O rosto de Temari ficou lívido diante de tamanha petulância. Avançou om passos decididos e por um momento lhe pareceu que Ino a encarava amedrontada. Temari lembrou-se que talvez estivesse utilizando inconscientemente à magia das sacerdotisas que tornava a portadora mais imperiosa do que realmente era.
Ao se lembrar disso, Temari recuou um passo. Sim, talvez suas habilidades em magia para ativar o círculo de Ogham durante a batalha acabar por fazê-la perder um pouco de controle sobre os feitiços que aprendera e á tanto tempo havia abandonado.

Mesmo que isso fosse útil para amedrontar aquela garota tola, Temari sabia que não tinha o direito de usar qualquer feitiço após ter quebrado seus votos de sacerdotisa no passado.

" Não posso esquecer que agora sou apenas uma guerreira de Suna e nada mais."

- Isso...isso me diz respeito, sim. - Temari passou a mão sobre o rosto. - Gaara não é um cara igual aos quais você está acostumada.
Ino olhou com suspeita para a outra. O que havia sido aquilo? Era como se Temari de repente ficasse diferente, ameaçadora...não que já não fosse naturalmente mas agora tinha sido diferente.

- Se você pensa que pode ludibriar e manipular o Gaara, está completamente enganada! Ele é o kazekage e não um dos manés de Konoha com os quais você costuma se envolver!

- O que você pensa que eu sou?

- Tem certeza de que quer ouvir?

Ino cerrou os punhos, enfurecida com a ofensa.
- Eu não sou o tipo de garota que está pensando! Saiba que venho de boa família, sou uma kunoichi de Konoha e exerço medicina! Não sou uma meretriz!

- Sério? - a voz de Temari era puro sarcasmo. - É difícil de acreditar que você não é uma vadiazinha depois de ver a forma como dançou.

- Aquilo era uma apresentação de dança do ventre tradicional de Karnak! Você é de Suna, conhece esse tipo de dança e sabe que mesmo sendo sensual é usada em apresentações comuns! Não se pode julgar a índole de alguém por causa disso!

- Eu conheço essa dança e não a apreço. Porém eu não estou julgando a dança, mas você a usou para literalmente, se oferecer ao meu irmão! Dançou apenas para ele como se quisesse o levar para o quarto! Conseguiu exatamente o que queria, esteve pensando nisso o tempo todo!

Ino queria retrucar, precisava retrucar, mas não conseguia encontrar argumentos pois no fundo de seu coração sabia que Temari estava certa. Mas mesmo que ela estivesse certa nesse fato, estava errada em julgar seu caráter.

- Eu não sou o que você está pensando!

- É? Então prove!

- Para quê? De que adianta me justificar já que sei que você não vai creditar em mim?

- Vou esclarecer uma coisa, Ino. Se você fizer algo para benefício próprio e prejudicar o Gaara, de qual forma for, não irei te perdoar e a farei pagar caro por isso! Está avisada.

Com estas palavras e um olhar ameaçador, Temari saiu do quarto, batendo a porta com força atrás de si. Vendo-se só, Ino sentou no chão, tentando em vão conter as lágrimas de raiva.

Por que as coisas eram sempre assim?

" Por que as pessoas me julgam errado? Por que ninguém é capaz de acreditar e ver que eu não sou desse jeito? Se eu fosse uma vadia inútil como todos acham, eu não sofreria com isso! Sei que não deveria dar ouvidos ao que os outros dizem mas é impossível ignorar ou fingir que não me machuco.
Droga, a culpa é toda minha! Se eu agisse de forma diferente, se eu fosse diferente, não iria ouvir esse tipo de coisa! Sou uma idiota. Como quero que os outros vejam quem eu realmente sou se eu só demonstro interesse por futilidades, tento seduzir todos os caras que me interessam e sim, ajo feito uma qualquer com fiz com o kazekage? Droga, droga! Se pudesse eu espancaria á mim mesma! "

Ino respirou profundamente, limpando as lágrimas da melhor forma que podia. Sabia que agora era muito tarde para perder o autocontrole e evitar esse tipo de coisa. Havia acontecido de ter transado com Gaara, tinha consciência de que queria o tempo todo quando tentou seduzi-lo. Já foi, era passado e não tinha como voltar atrás mesmo que desejasse.

No fundo do seu coração sabia que mesmo que pudesse voltar no tempo, não iria mudar nada acerca do acontecido. Afinal...não se arrependia nem um pouco de ter estado nos braços do kazekage de Suna. Só ansiava que as coisas não acabassem sem qualquer razão mesmo tendo a certeza de que isso inevitavelmente aconteceria.
~*~

" Mendukouse! Como esses animais fedem!"

Shikamaru Nara estava se arrependendo de ter se prontificado para ir buscar os tais meios de transporte que levaria todos para o deserto em direção á Floresta Proibida. Dromedários eram - além de desajeitados e espaçosos, extremamente fedorentos. A espécie pelo que sabia já tinha um odor peculiar e vivendo em condições não muito perfeitas de higiene isso só piorava.

Como se não bastasse, eram animais teimosos que só obedeciam ordens através de um dialeto estranho típico do povo de Karnak, em especial da classe mais antiga, como o dono dos animais. Se um desses bichos resolvesse empacar naquelas ruas movimentadas, teria problemas. Já bastava ter sido parado por turistas e deixado que tirassem fotos dos bichos. Pelo menos já estava chegando ao hotel e poderia colocar os animais no estábulo.

Toda a movimentação e o claro da cidade pareceram distantes quando Shikamaru Nara encontrava-se absorto em seus pensamentos. Mesmo que tudo o que havia acontecido na noite anterior fosse confuso e inexplicável e ele estivesse realmente cansado, ainda assim não conseguia parar de tentar procurar alguma explicação para o desfecho do ocorrido. Shikamaru sabia que era um preguiçoso nato mas mesmo que pensar demais em uma coisa estranha e confusa como aquela no esgotamento físico em que se encontrava ia contra seus preceitos preguiçosos.

Riu do próprio pensamento. Na verdade, deixara de ser preguiçosos á muito tempo e a maneira despreocupada com que agia na frente dos outros era mais um hábito do que uma índole de fato. Os anos como shinobi e a morte trágica de seu mestre ensinaram á Shikamaru que a vida não poderia ser simplesmente levada, era preciso enfrentá-la e modificá-la. E, no fundo, ele sempre soubera disso.

Terminou de ajeitar os animais no estábulo e lavou as mãos na bica antes de voltar para o interior do hotel. Aquele calor estava insuportável e concluiu que não comera nada desde a noite anterior.

" Não importa o quão importante seja uma missão, jamais deixe de se alimentar."

Isso era uma das principais lições que Asuma ensinara para ele, Ino e Chouji. Chouji logicamente apoiava a lição com prazer, enquanto Ino muitas vezes se oferecia por interromper uma missão para lancharem em horários quase metódicos. Mas Shikamaru sempre soube o real significado daquela lição. Afinal, para poder completar uma missão com êxito, é importante que o shinobi esteja em completa saúde, tanto física quanto mental.

Absorto em seus pensamentos, Shikamaru só percebeu Temari sentada cabisbaixa em um dos bancos no jardim do hotel quando passou ao seu lado.
- Oe, está tudo bem com você?

Ela ergueu a cabeça de súbito, parecendo surpresa ao vê-lo em sua frente e Shikamaru percebeu o quão pálida a garota estava. Mas Temari logo tratou de afastar a aparência cansada.

- C-claro que estou bem. Por que não estaria?

- Bom, porque desde tudo que aconteceu no templo, não descansamos. - explicou sentando-se ao seu lado. - E se eu bem me lembro, seu irmão pediu que você descansasse um pouco.

- Não consigo descansar quando é preciso fazer tantas coisas. Além do mais, não consigo parar de lembrar que ficamos tão perto da morte.

" Ao meu ver todos nós morremos e praticamente ressuscitamos misteriosamente."
- Como se não bastasse isso, ainda...há esquece.

Shikamaru sabia que havia algo á mais que estava irritando e preocupando Temari e, embora tivesse uma boa ideia do que seria, optou por não tocar no assunto e perturbá-la ainda mais. Ficou ali, em silêncio, olhando para océu azul isento de nuvens.
- Obrigada por tudo.

- Hum? Pelo o quê?

- Se não fosse seus planos e rapidez de raciocínio o despertar de Astarte teria sido realmente o caos.
- Não acho que os créditos sejam meus. Todos fizeram sua parte, incluindo você. Entretanto, os verdadeiros méritos não pertencem á nenhum de nós.

- Acredita em milagres?

- Eu já vi coisas realmente inacreditáveis, de modo que não teria sentido eu não crer em milagres. Eu senti minha coluna se partindo, sabia que ia morrer mas estou aqui completamente ileso. Não sou imortal então recebi um milagre. E você?

- Eu já fui uma sacerdotisa. - o rosto da loira se tornou sombrio. - Eu... eu não tenho mais o direito de pedir que Ela realize meu pedido. Eu sequer deveria estar ansiando por esse desejo.

Como se fosse tomada por uma fúria de si mesma, Temari se levantou com brusquidão e sentiu tudo rodar á sua volta. Tonta, perdeu o equilíbrio, sendo amparada por Shikamaru.

- Você realmente não está bem.

- Claro que estou! - rosnou ela, corando. - Não preciso de ajuda.

- Aposto que está sem comer desde ontem e o tanto de chackra que gastou na luta te deixou exausta. Venha, vou te levar ao quarto e já providenciar algo para você comer.

- Não preciso que me tratem feito criança, sei me cuidar muito bem.

- Em batalhas sim, mas na saúde já não sei.

- Quem você pensa que é para me dar sermão?

Mal se desvencilhou dele, sentiu a tontura enevoar a visão e foi mais uma vez amparada por Shikamaru.
- Deixa de ser problemática! Custa pelo menos deixar o feminismo um pouco de lado e aceitar que eu te ajude?

Temari não respondeu de imediato. Percebia agora que talvez precisasse admitir que precisava de ajuda.

- Está bem. Mas nem pense em me carregar no colo.

- Heh, eu nunca faria isso.

A expressão no rosto de Temari o fez perceber que a resposta não a agradava. E tratou de acrescentar.

- Um homem não deve carregar uma mulher guerreira no colo á menos que ela o permita.

Mesmo exausta, Temari sorriu e, sem contestar, deixou que Shikamaru envolvesse sua cintura com um dos braços e a guiasse até o hotel.

~*~

Ino olhou uma última vez para o espelho, concluindo que seus olhos ainda estavam inchados. Bom, sem maquiagem não tinha muito o que se fazer e era melhor sair logo do quarto, afinal não queria reencontrar Temari e tornar a ouvir tais ofensas.

Na verdade gostaria de deitar na cama e descansar mas Sakura e Kakashi estavam no quarto e não seria prudente entrar de súbito e correr o risco de flagrá-los em uma situação constrangedora. Assim, ficou parada no corredor pensando no que fazer quando ouviu vozes se aproximando.

- Mudando de assunto, kazekage-sama mas na noite anterior soube que levou aquela beldade de dança aos seus aposentos. Ela não era uma das jovens contratadas, de modo que espero que ela o tenha agradado.

- ...não se preocupe com isso, conde de Karnak.

- Bom, se desejar posso oferecer acompanhantes excelentes devidamente treinadas para satisfazê-lo.

- Não há necessidade. Aquela me bastou e foi o suficiente.

Quando Gaara dobrou a curva do corredor acompanhando pelo conde, deparou-se com Ino Yamanka. E, embora o rosto dela estivesse tão expressivo quanto uma estátua, sabia que ela ouvira parte da conversa.
Justamente a parte mais comprometedora.

Ino sentiu que iria desmoronar e precisou reunir a força espiritual que pensou não ter para se manter impassível. Mesmo que sua relação com Gaara não tivesse qualquer futuro, realmente acreditou que pelo menos ele não a trataria como um objeto descartável.

" Eu me enganei porque você é igual aos outros."

Ela nem precisava dizer aquilo em voz alta pois Gaara sabias e sentiu desesperadamente que precisava se explicar. Mas não conseguia. Afinal, não tinha qualquer direito de fazê-lo.

- Que bom que te encontrei, Ino.

Ela se virou rapidamente, vendo Kakashi se aproximar com o costumeiro sorriso simpático.
- Será que você poderia fazer companhia á Sakura? Não é bom deixá-la sozinha e eu vou até a lanchonete do hotel pegar algo para ela comer mas pode deixar que trago algo para você também.

Aquilo era uma oportunidade. Assentiu e orçando um sorriso, Ino tratou de seguir rapidamente para o quarto. Gaara chegou a tencionar segui-la, envolver Ino em seus braços e explicar que dissera aquilo apenas para se livrar das tentativas do conde de lhe empurrar prostitutas.

Não tinha como reverter à situação. E, sendo o kazekage, Gaara sabia que não poderia correr trás de uma mulher para se desculpar, pelo menos não poderia fazer isso em frente á pessoas do alto escalão de Suna.

~*~

Então as coisas eram realmente assim. Sabia, de alguma forma, que Sakura era aquela menina ainda mas ouvir claramente dela era algo que Kakashi nunca imaginou.

" Quando eu estiver preparada, quero que seja com você, Kakashi."

Por mais que soubesse que deveria estar se concentrando no que havia acontecido no templo, percebia que estava sorrindo por ter tido tal confissão.

' Credo, Kakashi nem parece você! Pare de agir como um imbecil, homem! Tanta coisa para pensar e eu fico aqui fantasiando ideias nada pudicas com minha ex-aluna. Tudo bem que não é a primeira vez e já fiz coisas piores mas agora estou parecendo um bobo. Sakura não deveria ter dito aquilo, droga..."

Seus pensamentos foram interrompidos ao perceber que já passara da lanchonete. Tratou de pedir uma refeição leve mas com sustância para duas pessoas e, enquanto esperava que os pedidos ficassem prontos, aproveitou para fazer um lanche rápido.

" Toda missão possui imprevistos, mas esta extrapolou todos os limites."

Sim, e não apenas no sentido da sua relação com Sakura - essa que nunca mais seria a mesma quando voltassem á Konoha. - mas os outros membros da equipe também passavam por alguma confusão amorosa. Shikamaru e Temari poderiam firmar um relacionamento mas isso sobreviveria sendo que suas missões nunca se uniam? E, para piorar pressentia que Gaara tinha feito alguma coisa com Ino pois quando a encontrou no corredor, percebera que a garota estava prestes á cair em lágrimas.

Complicado...só esperava que todos, inclusive ele, fossem capazes de priorizar o que era realmente importante naquela missão. Astarte fora derrotada mas isso não queria dizer que fora destruída. Aquilo ainda não acabara.

Se pudesse, gostaria de esquecer a terrível visão de Astarte na forma de Sakura naquela dimensão dentro dos sonhos. Estranho, embora estivesse sido atacado e quase assassinado no mundo real, eram os momentos dentro daquela dimensão que o amedrontava. Por quê? Talvez porque naquele lugar Astarte era onipresente e todos poderiam ser facilmente consumidos pelo pesadelo na certeza de que contra ela nada poderia ser feito.

Como todos haviam sobrevivido e Astarte ser selada? Não havia qualquer explicação além daquela luz ofuscante, quase divina, que concedeu a vitória á batalha totalmente perdida. Kakashi não conseguia acreditar em milagres tinha de haver uma explicação concreta.

" Um deus só pode ser derrotado por outro deus."

Havia mais alguém que servia de receptáculo para uma divindade além de Sakura? Seria possível que a Santa Deusa...? Isso explicaria muita coisa.

Suspiro. Tudo aquilo estava ficando complicado e confuso, além de sério. Não podia esquecer da estátua de Itachi Uchiha no templo e aquilo era um fato deveras perturbador. Talvez devesse obter alguma informação com um guia turístico ou mesmo através de um livro que pudesse conter explicação sobre aquela estátua.

Porém, todos logo partiriam para a Floresta Proibida e não haveria tempo para pesquisas que não possuíssem relação com a missão, esta que já possuía coisas demais para se investigar.

" Tirando esses estranhos olhos, você tem as feições Dela. O sangue Dela permitiu que você tivesse o poder de adentrar nessa realidade. Quem diria que Ela possuiria uma cria nesta era?"

Kakashi parou de comer, sentindo o estômago doer. Por que agora tinha de se lembrar das palavras de Astarte? Ela...ela quem? Cria...cria...o sangue Dela...quem?"

' Por que o meu ser está envolvido em tudo isso?"

Kakashi temia em descobrir a resposta. Poderia ser cruel demais. Ele só não imaginava o quanto.

~*~

Quando Ino adentrou no quarto, recostou-se na parede tentando limpar rapidamente as lágrimas. Não queria que Sakura a visse naquele estado pois certamente ficaria preocupada e iria obrigá-la a desabafar. Não, Sakura tinha problemas demais e não fazia sentido lhe contar.

Para seu alívio, Sakura adormecera. Verificou que a jovem respirava normalmente e fechou um pouco a veneziana da janela, indo se sentar na outra cama. Ainda era difícil acreditar que Sakura, aquela Sakura que na infância era tola, complexada e vítima de bullyng, sempre apaixonada por Sasuke e altamente chorona, pudesse ter um demônio dentro do corpo. E esse demônio era pior do que um jinchurikki afinal...possuía inteligência e maldade humanas.

" Eu conheço a mente de Sakura melhor do que qualquer pessoa. Que ela gosta e considera você como alguém especial, é verdade, Mas ela não arriscaria a própria felicidade para te ajudar a ser feliz."

Será que aquelas palavras de Astarte eram verdadeiras? Poderia ser apenas algo que ela inventara para fazer com que Ino desistisse de ajudar a amiga. Porém, a própria Astarte dissera que ela não lhe oferecia qualquer ameaça de modo que não haveria necessidade de tentar atingi-la com tais comentários venenosos.

" Astarte sabe que eu desisti de Sasuke e me portei como rival de Sakura só para que ela pudesse ficar mais forte. Já arrisquei minha vida para ajudá-la e mesmo assim não compreendo o porquê de fazer isso .Sempre ajudo os outros esperando algo em troca exceto por Sakura. Eu a ajudo porque quero ajudá-la. Mas será que isso vale á pena?"

A loira balançou a cabeça. O que ela fizera por ter de aguentar tantas desilusões? Sempre tivera uma auto-estima invejável, mas isso agora não estava ajudando.

~*~

Shikamaru havia levado Temari até os aposentos da jovem e notou o quanto ela estava exausta pois nem protestou quando ele a colocou na cama e lhe tirou os sapatos.

Já Temari amaldiçoava em silêncio sua própria fraqueza súbita. Mas sabia que isso vinha do fato de ter usado todo o seu chackra á ponto de ficar incapaz de desenvolver Justus. Não se recordava que a utilização de magias - mesmo as mais simples - necessitavam de tanta energia. Se bem que passara muitos anos desde que usara magia pela última vez e era natural que sofresse um cansaço muito maior do que o de uma sacerdotisa ativa.

Passou a mão sobre o rosto e notou que Shikamaru estava sentado ligeiramente debruçado diante de si. É, pelo menos todo aquele cansaço possuía um aspecto positivo. Verdes sobre castanhos.

- Não pensei que você era cavalheiro.

- Poderia ser muito mais se você permitisse.

- Assim está bom, não quero ficar mal acostumada.

Shikamaru riu, divertido. Na verdade seu desejo era envolver aquela linda mulher nos braços e possuí-la loucamente. Mas abusar dessa chance pelo fato de Temari dificilmente demonstrar resistência devido ao cansaço, não era do seu feitio. Afinal, não queria que fosse apenas uma aventura.

Simplesmente beijou-a como das outras vezes, com desejo e respeito, sentindo as mãos de Temari acariciar seu rosto.

- Eu preciso descansar, Shikamaru.

- Precisa mesmo?

- Hum-hum. Foi por isso que aceitei que me trouxesse até aqui. Ou você pensou que poderia ser outra coisa seu pervertido?

- Estaria mentindo se dissesse que não fantasiei nada.

- Iria se aproveitar do meu estado indefeso?

- Eu até queria.

- Como ousa? - indagou ela, divertida.

- Mas se eu fizesse isso teria consequências muito problemáticas depois.

Ficaram em silêncio por algum tempo e, mordendo levemente o lábio inferior, Temari disse sem rodeios.
- Eu gosto mesmo de você.

Aquelas palavras bastavam e para ele eram mais do que suficiente.

Ouviram batidas na porta e Shikamaru a abriu. Era um dos muitos mordomos do hotel trazendo o lanche que Shikamaru havia pedido antes de subir com Temari para o quarto. Ele pegou as bandejas, deu uma gorjeta para o homem e fechou a porta.

- Bom, eu tomei a liberdade de pedir algo para você. Precisa repor suas forças e uma boa refeição é o primeiro passo. Meu sensei sempre disse isso. - falou, colocando uma das bandejas no colo da loira.

- Hum...hambúrguer com fritas e suco? Parece muito bom.

- Com direito á pudim de sobremesa. Se não incomodar, será que poderia comer aqui com você?

Castanhos sobre verdes. Temari sorriu, como raramente fazia.
- Claro. Bom apetite.

~*~
Havia conseguido.

Sakura olhou aoredor, encontrando apenas o estranho e inóspito vazio de sua mente. O lugar parecia coberto por uma bruma, como da primeira vez que adentrara na própria mente. Talvez o fato de tudo estar enevoado fosse um bom sinal. Quando havia névoa poderia significar que Astarte realmente fora trancada, como nos outros anos. Quem sabe? A verdade era que não entendia praticamente nada.

Não gostava nem um pouco daquele lugar, mesmo que fosse sua mente. Era tão vasto e silencioso que se tornava perturbador. Ainda mais agora que sabia as terríveis verdades que jaziam dentro de si. Nas outras vezes que estivera ali havia sido tragada pela força de Astarte de modo que essa era a primeira vez que realizara o mergulho espiritual conhecido como dive. Talvez depois de ter sido tragada várias vezes sua alma aprendera o caminho sozinha.

Voltar á realidade não seria problema, tinha certeza. E não poderia demorar muito tempo ali pois Kakashi logo voltaria com seu almoço. Kakashi...mesmo que todos houvessem a ajudado a se livrar de Astarte (precisava agradecê-los o quanto antes) se não fosse por seu ex-sensei que a tirou daquele inferno, tudo estaria perdido.

Ele era realmente tão perfeito que Sakura custava a acreditar que poderia estar envolvendo-se emocionalmente com ele mesmo em meio á tantos problemas. Mas aquele sentimento - que conhecia bem - estava crescendo tão rápido tanto em seu coração quanto em sua mente...e ao perceber que Kakashi retribuía seus sentimentos fazia com que mesmo seus maiores problemas parecessem secundários. O amor platônico não era nada comparado aquilo.

"Kakashi então seria isso que realmente significa amar alguém?'

Olhou novamente aoredor. Nada além do solitário vazio. Astarte não estava ali e era provável que não estivesse em nenhum lugar. Mas a misteriosa voz garantira que a deusa ainda vivia presa em alguma parte dentro de si, de modo que precisava ir até a Floresta Proibida se quisesse não apenas se livrar de tudo aquilo, mas descobrir a real verdade.

" Qual verdade? A verdade de Astarte, a verdade do passado ou a verdade além de tudo isso? Haveria também a minha verdade?"

Com pesar, Sakura constatou que ainda era incapaz de compreender tudo. Pois sentia que lhe faltava algo.
Faltava a presença de Astarte.
Por mais que aquilo a revoltasse, Sakura tinha de aceitar. Que Astarte lhe era cruel e perigosa era verdade, mas por outro lado...por outro lado agora que poderia estar só dentro de sua mente, percebia que a existência de Astarte lhe era crucial. Como se aquela criatura que tanto temia e odiava fosse uma parte de si. Um outro eu dotado de vida própria que ao mesmo tempo era e não era a si mesma.

" Quando chegar á Floresta Proibida eu lhe contarei tudo o que deseja saber pois somente a Santa Deusa poderá lhe revelar seu destino."

As misteriosas palavras da voz que lhe salvara não poderiam ser esquecidas. Sem dúvida a presença de Astarte dentro de si não era apenas um ritual realizado por fanáticos ou coisa do gênero.
Em um gesto, abraçou á si mesma. Sakura sabia que precisaria ser forte e que seus companheiros estariam ao seu lado. Iria enfrentar a verdade e jurou para si mesma, naquela solidão, que iria encarar seu destino. Fosse qual fosse.

~*~

O tempo começava a mudar. Ela podia sentir, podia ouvir. Ali, no alto do penhasco envolto pela exuberante floresta residente no centro do deserto, ela fitava o céu estrelado. Tão infinito e supremo que diante daquilo ela não era nada além de uma partícula perdida no universo.

Seus trajes alvos da mais pura seda ondulavam no corpo curvilíneos e seus longos cabelos platinados pareciam dançar ao sabor do vento. Ela era tão linda que sua pele branca e fina parecia feita de alabastro, o nariz pequeno e os lábios perfeitamente desenhados realçavam olhos como nenhum outro; azuis intensos com pupilas douradas que transmitiam poder, sabedoria e muito mais.

Santa Deusa.

O momento havia chegado. A última parte daquele intricado e sagrado destino deveria ser concluído e ela deveria ter coragem de jamais retroceder.

~*~




6 comentários:

Bru Martins disse...

Linddoooo
Ficou muito bom mesmo *-*
Vc sabe trabalhar muito beemm os persona , parabens!!!
+++ ;3

Tsu disse...

Olá Bru ^^. Eu procuro deixar os personagens o mais condizente possível com o original!

Anônimo disse...

Simplesmente ADOREI o último capítulo da primeira fase de Divinos Pecados! Adorei a forma como a relaçãode Kakashi e Sakura está seguindo! Com um sensei desses eu seria feliz! rs^^. Agora Shikamaru e Temari também estão muito fofos..a Temari tenta ser parruda mas não consegue resistir ao Shika...
Esperando logo o próximo capítulo!!!

bjs
Misa-Misa

Anônimo disse...

Finalmente consigo ler o capítulo, hahahah!

Gosto dos rumos da história e principalmente das porradas que a Ino anda levando, hahaha. Não é que eu odeie a coitada nem nada do tipo, mas tbm acho o jeito dela excessivo. E infantil. Ou será que ela achava que o Gaara ia abrir a vida dele pro homem e dizer "que fez amor com uma moça maravilhosa?". Bah..

Quanto ao ShikaTema, que é invariavelmente a parte que eu mais anseio ler e a que eu mais presto atenção (ossos do ofício, hahaha, eu gosto do clima pacifista entre eles. Porque as briguinhas já encheram quem é seguidor de longa data, e a maturidade vem com maior compreensão. E como a gente tava falando, eu adoro quando a Temari se rende. Tá bem que ela é mais forte e mais poderosa, mas o macho da relação ainda é o Shikamaru.. hahah; Eu sempre quero mais deles >.<

Fiquei curiosa com o Itachi, mas isso faz tempo... quero ver como vai ser a história dele aqui!

Enfim, go go go floresta!

Roberta

Leka disse...

Poxa depois de uma batalha bizarra como aconteceu e lendo agora após ela vc transmitiu muito bem essa sensação de cansaço e necessidade de descanso, mas ao mesmo tempo a preocupação que continua em todos...
Tadinha da Ino...fiquei com pena dela.Ela é legal, espero que tudo termine bem entre ela e o gaara!
bjs e paz!

Tsu disse...

bjs
Misa-Misa!
AHASH é a Temari sempre amolece um pouco pro Shika!

Robs o/
hsahsh como vc é malvada com a Ino XD
Sim, ela precisa perceber quw o Gaara é meio diferente para agir...
Ah vc é uma fça de ShikaTema e isso não é novidade...sempre procuro trabalhar com eles com o maior carinho para fazer algo agradável!
Quanto ao Itachi..bom tenho muitos planos para ele!
bjs

Oi Leka
Pode ficar sossegada que tentarei dar um destino bom á Ino e Gaara, mesmo eles sendo tão dificeis de se entender kkkkkk. O que eles precisam é conversarem mais...o velhinho praticamente preveu o futuro deles! rs

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