4 de jul de 2010

FanFic - Divinos Pecados - capítulo 15


Contato


~*~


" No princípio eram duas."

 Foi em uma era muito antiga e já perdida e esquecida pela humanidade. Uma Era de Ouro na qual a humanidade atingiu seu apogeu extremo e, como tal, teve de acabar para que recomeçasse.

Nessa era surgiram as Divinas Sagradas Gêmeas. Era assim que todos as chamavam quando seus poderes se manifestaram. Seus nomes eram Astaroch e Astarte e elas eram os seres mais fascinantes que alguém poderia imaginar.

Ninguém soube de onde elas vieram e mesmo elas não poderiam dizer. Alguns contavam que sua terra natal havia sido engolida pelo oceano e sua genitora chegara com ambas recé-nascidas nos braços á deriva em uma pequena balsa. Ao serem encontradas pelos povos nômades do continente, a mãe das gêmeas desapareceu sem deixar qualquer rastro. Assim, as duas crianças foram criadas e amadas por todas as pessoas da aldeia.

Suas capacidades telecinéticas e telepáticas desafiavam a compreensão humana e logo as gêmeas passaram a ser cultuadas como deusas e santas. Os anos passavam e, ao atingir a maturidade, seus corpos se tornaram imutáveis. Capazes de manipular os elementos da natureza e adentrar na psique humana, as gêmeas começaram a ensinara os devotos um pouco do que sabiam. Embora ninguém - inclusive elas - não soubessem a razão de desenvolver tal conhecimento, as descobertas eram aceitas de bom grado e os humanos que aprenderam com as gêmeas aperfeiçoaram seus próprios poderes e habilidades, transmitindo-os para as gerações futuras. E isso perdura até hoje.

Embora fisicamente idênticas, as diferenças entre as gêmeas se tornavam evidentes á cada dia que se passava. Uma delas possuía um controle e uma habilidade sobre seus poderes que a tornavam amada e temida. Já a outra, com uma capacidade limitada sobre os próprios poderes, embora menos agraciada, era muito sábia.

Mas de que valia a sabedoria se todos louvavam o poder que pudessem ver com os próprios olhos? A gêmea divina era querida por todas as pessoas, desejada por todos os homens e seu poder lhe dava tudo que desejasse.

E isso provocou algo na outra gêmea. Algo que culminou em uma amaldiçoada tragédia.

Um dia, quando a gêmea divina sentia que poderia alcançar a apoteose suprema, foi atacada traiçoeiramente pela própria irmã. Mesmo que a diferença de forças fosse evidente, havia certos poderes e magias que apenas a outra gêmea era capaz de usar. E, fazendo uso disso, ela assassinou a irmã, destruindo seu corpo e roubando seus poderes, aprisionando-a sua alma imortal em uma fenda do tempo-espaço.

Fraca e incapaz de reverter a situação, a gêmea divina nada podia fazer. Agora sem um corpo físico que realmente lhe pertencesse, estava condenada a vagar de corpo em corpo como um parasita, tendo sua alma divina transferida por meio de magias sagradas aplicadas pela irmã.

Durante muito tempo a gêmea divina se perguntou a razão de ser obrigada a passar por tudo isso enquanto sabia que sua irmã agora não tinha apenas o controle sobre sua alma - tinha seu poder, passando a ser louvada como única. Criou então não apenas um legado, mas uma religião.

E a história das gêmeas caiu no esquecimento.

As eras passaram, o mundo sofreu diversas mudanças e a deusa aprisionada jurou a si mesma que retornaria para recuperar o que lhe era devido. Nada nem ninguém iria impedí-la de se tornar o ser supremo que estava destinada á ser.

" E este momento chegará agora."

~*~
 " O Kazekage requisita a sua presença."

Ino sabia que isso aconteceria. Fizera aquilo para que acontecesse. Mas agora que havia acontecido, se perguntava se estava fazendo a coisa certa.

Claro que não havia feito a coisa certa. Novamente tinha sido impulsiva, desesperada em provar para todos que era capaz de conquistar a pessoa mais impenetrável que já vira. Sabia muito bem o que Gaara queria e não poderia dizer que nunca tive a intenção. O havia provocado e pagaria por isso.

 " Como sou idiota! Estou mesmo assim tão desesperada em perder a virgindade? O que o Gaara pensará de mim?"

Que você é uma puta oferecida.

Seu próprio pensamento a irritou. Talvez fosse isso mesmo que os rapazes de Konoha haviam lhe dito certa vez. Ela não era isso, nunca entregara seu corpo, mesmo que permitisse algumas carícias mais ousadas, mas mesmo assim era o que todos diziam dela. Por quê? Só porque ela não temia beijar certos caras que gostava em vez de viver paixões platônicas como a maior parte das meninas da sua idade? Ou porque ela era oferecida mesmo e precisava ser desejada para alimentar o próprio ego?

Mordeu o lábio inferior e diminuiu a velocidade do passo.

Iria tentar conversar com Gaara. Mesmo que fosse inútil, precisava esclarecer á ele que não era uma garota como ele pensava...droga! Como explicar isso para ele?

O gerente do hotel a guiava pelos corredores em silêncio. Ino sabia onde se situava o aposento do kazekage e não precisava de um guia. Porém, o homem aparecera no camarim logo após a apresentação dando o recado que ela deveria se encontrar imediatamente como kazekage.

A surpresa das demais dançarinas era evidente e deveriam estar fofocando em polvorosa até agora. Quando ouviu o recado, sua professora procurou intervir mas Ino a impediu, acatando ao pedido, alegando que conhecia o kazekage.

Só agora percebera que havia feito uma tremenda besteira. O que seus pais e amigos pensariam se soubessem?

~*~

Aquela história narrada dentro de seus próprios pensamentos fez com que Sakura mergulhasse nas naquelas reminiscências como se fossem suas. Mas as imagens que via eram distorcidas, enevoadas e confusas. As gêmeas eram belas mas por alguma razão não conseguia ver seus rostos. Mas isso agora não tinha muita importância, pois estava sendo capaz , com aquela história, compreender muitas coisas.

" Agora eu sei que a missão que me trouxe á Karnak não é algo simples. Eu sou a missão e parte de um destino muito maior."

De repente aquela névoa que dominava o mundo de seus sonhos dissipou-se, e Sakura percebeu que estava sentada no que parecia um chão e sua outra "eu" - aquela que outrora temia e que agora começava a respeitar - jazia á sua frente. Mesmo que ela fosse uma das sagradas gêmeas, algo em sua aparência estava errada. Pois o que Sakura via diante de si era a si própria.

- Agora você conhece minha história e minha razão, portanto me compreende.

- Não sei se compreendo. - confessou a jovem. - Sinto que há muito mais em tudo isso...é demais para mim.

- Sim, os mortais jamais serão capazes de compreender os deuses.

Sakura franziu as sobrancelhas e encarou a outra.

- Porque você não aparece em sua própria forma em vez de usar a minha?

 Por um milésimo de segundo os olhos da outra se tornaram ameaçadores, mas ela manteve o semblante calmo.

- Isso não lhe diz respeito, Sakura. Existem coisas que jamais poderá compreender. Basta que entenda o que minha irmã fez á mim.

Sakura quase não conseguia acreditar. Então durante eras aquela criatura destruía vidas dos corpos que possuía por vingança?
Vingança.

Sakura acompanhara de perto o que o desejo de vingança causava no espírito de alguém. Sasuke era um vingador, mas o que isso lhe trouxera? Uma vida cruel, erros irreparáveis e tristeza. Quando concluiu sua vingança, esta transformou-se em arrependimento insuportável, gerando um ódio incomensurável para si. E ele, mais todos que se importavam consigo partilhavam dessa dor.

- Vingança...só destrói vidas.

- Eu preciso de seu corpo para concluir meu destino.

A jovem a encarou, os olhos marejados.

- O que está querendo fazer está destruindo vidas que nada teem á ver com isso! Eu nunca fiz nada, não tenho culpa se te aprisionaram na minha alma. Eu não quero ser envolvida e envolver aqueles que amo na sua vingança ou o que quer que seja! Me deixe em paz!

- Paz? Eu lhe poupei a infância e a adolescência. Teve uma vida boa e sem nunca imaginar que eu estava aqui. Agora deve encarar a verdade: entregue seu corpo á mim e prometo que quando isso acabar, eu o devolverei á você.

- ...como poderá me devolver se você não possui um corpo próprio e está á eras vivendo como uma parasita nas almas alheias?

O tapa da deusa a atingiu tão subitamente que Sakura caiu no chão com um grito. A outra lhe agarrou fortemente pelo pescoço e, em pânico, Sakura tentou relutar, pois sabia que o que sofresse dentro de sua mente afetaria seu corpo real.

- Não estou nesse corpo porque quero! Fui traída e condenada á isso durante eras! Não é justo! Estou farta!

Sakura viu as lágrimas vertendo de seu rosto de pupilas douradas - a única diferença entre suas aparências. E, por alguma razão, parecia sentir a verdadeira dor e o verdadeiro desespero que a outra possuía.

" Á quanto tempo ela estava sozinha, esquecida e destruída? Se o fardo da imortalidade já era tão pesado, quão desesperador era suportá-lo naquela situação?"

 Sentiu as mãos afastarem de seu pescoço e acariciarem seu corpo enquanto a deusa pousava a cabeça sobre seu peito.

- Me liberte. Por favor, me liberte...

Ela chorava em silêncio e Sakura notou que também estava chorando. Fechou os olhos e suas mãos abraçaram a outra delicadamente. E soube o que deveria fazer.

- ...eu a liberto.

O sorriso cruel surgiu no rosto de Astarte.

~*~

Sabaku no Gaara permanecia na sacada de seus aposentos a observar o movimento da cidade sob o céu estrelado. Quando aquela apresentação acabara e fizera o pedido, havia tratado de sair discretamente dali para ficar em seus aposentos. Mesmo que os convidados dessem pela sua falta, o conde de Karnak encontraria uma forma de justificar a ausência e manter a discrição.

Não conseguia abandonar a imagem de Ino Yamanaka dançando na sua frente. Ela era linda e a maneira como movia seu corpo o deixara hipnotizado. Só ao recordar-se disso, seu corpo era tomado por um desejo e um calor anormal, o obrigando a tocar o próprio membro.

Nunca imaginava que seria assim.


***flash-back***

  Gaara estava terminando de preencher alguns documentos burocráticos em seu escritório quando Kankurou e Temari entraram. Ele logo percebeu que havia algo de errado com os irmãos, pois eles pareciam nervosos quando fecharam a porta com chave e pararam á sua frente.

-...aconteceu alguma coisa? - indagou em sua típica falta de emoção.

- Hãn...n-não. Está tudo bem em Suna, tudo bem!

Gaara franziu o cenho. Aquele sorriso forçado era muito suspeito.

- Então por que estão aqui?

- Tipo...hãn...bom, você sabe que haverá a mais importante festa de Suna daqui dois meses... - Kankurou parou e olhou para Temari.

- E você sabe que essa comemoração é de extrema importância para a união entre os políticos de Suna. - a loira comentou. - E do kazekage, claro.

- Sim. Eu já despachei as ordens para organizar tudo o que for necessário e vocês estão encarregados de supervisionar. Houve algum empecilho?

 Os dois shinobis trocaram olhares e pareceram tomar coragem antes de desatarem a falar.

- Não chega necessariamente á ser um empecilho. - Kankurou respirou. – Acontece que essa festa possui, digamos, alguns "fatores"  cujas atividades e posturas devem ser demonstradas. Não que isso seja correto, mas é uma espécie de tradição e você, como kazekage, deve fazer porque é um costume que, embora não era para ser, acabou sendo. - ele gesticulava nervosamente com as mão. - Isso acontece porque certas aparências fazem uma diferença, ainda que indiretamente, nas questões políticas, embora inicialmente não tenham nada á ver. Mas é algo do machismo de Suna enraizado na nossa sociedade e é recomendável cumprir para evitar certos aborrecimentos, entende?

- ...não.

Kankurou sentiu que suava litros. Explicar para o garoto-estátua- ex psicopata que ele precisava mostrar sua virilidade para se fazer respeitar entre a alta sociedade de Suna não era nem um pouco fácil. Isso porque nem havia chegado na questão sobre a diferença de sexo com sentimento e sexo por sexo. Mas ele tinha de continuar tentando. Tomou fôlego e continuou.

- Então Gaara, a questão é que para evitar boatos maldosos, tem que manter a aparência que o pessoal espera que você tenha. Sim, você já é muito bem visto pelo povo, mas entre o pessoal importante da política é um pouco diferente. Assim, existe coisas que se precisa fazer. Tudo bem que não parece ser algo prioritário e que mostre as capacidades de governar mas é que...

- Ah, já chega! - explodiu Temari, cansada daquele falatório. - A questão Gaara é que você precisa perder a virgindade antes que todos descubram que o kazekage é virgem! Pronto, falei.

O silêncio que pairou foi constrangedor.

- ...e como eu devo fazer isso?

- Trepando com uma mulher.

Kankurou trincou com o próprio comentário diante do olhar assassino de Temari.

- É, hum...você deve ter uma relação sexual, esse tipo de coisa.

- Mas... - Gaara começou. - Isso não deve ser feito para fins reprodutivos ou com "amor"  de ambas partes durante um relacionamento? Ou em casos extremos mediante á subjugação? Esse último eu não considero correto.

 Os dois shinobis trocaram olhares desolados. Gaara aprendera questões morais corretas e agora eles estavam prestes á lhe pressionar para fazer algo que ia contra sua opinião só por causa de necessidades absurdas do círculo político de Suna.

- Sabe, Gaara. - tentou Temari. – Esse seu ponto de vista é até correto mas a nossa sociedade é repleta de hábitos retrógados e machistas...

- Perai, não é bem assim! – cortou Kankurou. - O sexo sem compromisso é uma diversão. E as prostituas aceitam fazer coisas que as namoradas não aceitam.

- Não é nada disso! A promiscuidade masculina é um costume que deveria ser abolido! Onde já se viu um governante provar que é eficiente para o cargo que ocupa apenas agindo como um galo no cio?

 Gaara observou os dois irmãos discutirem, incapaz de compreender o que eles estavam tentando lhe dizer. Quando percebeu que a discussão começava a sair do controle, Gaara tratou de se impor.

- Chega! Vocês estão me incomodando e me aborrecendo com esse falatório. Meus ideais não importam. Se devo fazer algo que tenha importância para Suna, eu farei.

Os irmãos o encararam.

- Não se preocupe, isso não é algo difícil, tampouco um sacrifício. - Kankurou tentou rir. - Você vai gostar.

- É normal que no primeiro momento você fique um pouco ansioso e sem saber direito o que fazer. - a loira explicou. - Mas é só deixar que a natureza o guie.

- Transar é quase como ninjutsu: depois que você faz, começa a aperfeiçoar. Sem falar existem quase tantas técnicas de kama-sutra quanto tipos de jutsus, heh,he! M- mas...ainda é cedo para falarmos disso. No começo se concentre apenas no básico.

O ruivo o encarou e, em seu rosto era evidente a pergunta: e qual é o básico?

- Você aprende. - o irmão engoliu em seco. – Prometo que escolheremos uma excelente mulher para você iniciar sua vida sexual. Garanto que sua primeira vez será melhor que a minha.

- ...e como foi a sua?

- Hah, era uma prostituta ligeira e tão quente quanto um frezeer. - uma gota de constrangimento surgiu em Kankurou.

- Pare com isso. - ralhou Temari se voltando para o irmão caçula. - As coisas não precisam ser tão impulsivas assim. É certo que o Gaara precisava fazer isso antes dessa festa mas não podemos contratar qualquer mulher fora de Suna e muito menos daqui. Existe sempre o risco de doenças ou de alguma oportunista. Apesar de tudo acho que isso é algo que o Gaara deve decidir sozinho como ele quer que seja.

Silêncio. Gaara recostou-se em sua poltrona.

- Não precisam se preocupar comigo em relação á isso. Resolverei da forma que eu considerar correta.

***flash-back***

 " E foi essa a forma que eu encontrei?"

 Definitivamente não. Mas também como poderia decidir corretamente? A vez que Kankurou tentou lhe explicar como deveria fazer sexo foi um completo fiasco, repleto de adjetivos de baixo calão e a conclusão que chegara á partir da explicação dele era que as mulheres tinham "ser comidas e o sexo era uma necessidade masculina boa, por isso tem que fazer sempre que desse vontade."

Porém, ao perguntar para Temari, a explicação havia sido igualmente confusa mas diferente. Que tanto o homem quanto a mulher possuíam direitos iguais e que a sociedade deveria parar de isentar as mulheres e deixar que fossem tratadas como objetos. E seria muito bom que elas começassem a ocupar cargos no governo de Suna para desenvolver leis mais justas.

Fora os irmãos, não pedira a opinião de mais ninguém e como poderia? Ele era o kazekage, seu dever era se mostrar sempre ciente de tudo.

"Será que estou pensando demais e no fim é algo extremamente simples?"

Iria descobrir agora. Seu corpo parecia queimar, então deveria ser algo á ver com instinto. Afinal, humanos também eram animais.

Seus pensamentos foram interrompidos quando ouviu batidas na porta eo gerente do hotel surgiu.

- Eu a trouxe, kazekage-sama.

- ...peça que ela entre e feche a porta.

 O homem obedeceu e, quando Ino Yamanaka entrou, Gaara sentiu um estremecimento percorrer seu corpo. Mesmo que ela não estivesse dançando, era incapaz de tirar os olhos da jovem.

- ..h-hãn...o-oi, Gaara-sama.

Ela não parecia nem um pouco com a garota que dançara sensualmente para si momentos atrás, tão tímida estava. E isso fez com que Gaara se arrependesse do que estava pensando em fazer.

Seria correto forçá-la á ficar com ele só porque a estava desejando? Mas se Ino havia se insinuado então tinha consciência do que queria. Mas e os sentimentos? Talvez no fim das contas estes de nada valessem.

~*~

 Quando teve conhecimento de que o kazekage se retirara da festa e convocara Ino Yamanaka para ir aos seus aposentos, Temari viu-se acometida por fúria e indignação, que a fez esquecer de qualquer outra coisa. Saiu do salão de festas e ficou a caminhar de um lado para o outro no hall do hotel feito uma leoa enjaulada. Shikamaru apenas a observava escorado no corrimão da escada que levava ao primeiro andar.

 Ino SEMPRE tinha que atrapalhar tudo. Quando finalmente tinha conseguido colocar Temari em um beco sem saída...agora nem ousaria tocar no assunto, afinal a loira não estava nem um pouco amigável para aquele tipo de coisa. Tinha que aguardar e esperar.

 Notou que pelo menos, áquela hora a recepção do hotel estava vazia, exceto pelo atendente atrás do balcão de atendimento. Mas o rapaz estava tão compenetrado em resolver uma revista de palavras-cruzadas que nem lhes dava atenção.

- Não há necessidade de você ficar agindo assim.

- Você nem sabe o que me levou a agir assim. - ela tratou de responder secamente. - Então nem deve dizer nada.

- Claro que sei. O Gaara ordenou que a Ino fosse aos aposentos dele como se ela fosse uma qualquer. - cruzou os braços. - Eu achei isso uma sacanagem da parte dele, nunca pensei que faria algo como um homem cafajeste.

- Vulgar é sua amiga, que se ofereceu á ele feito uma meretriz! O que ela está querendo se aproximando do Gaara dessa forma?

- Oe, não ofende a Ino, não! Ela não é o tipo de garota que todos pensam. Se é para repreender alguém, repreenda seu irmão que, com aquela atitude pareceu o tipo de homem que trata as mulheres feito objetos descartáveis.

- Se eu não conheço a Ino, você não conhece o Gaara!

Verdes sobre castanhos. Temari então suspirou, sabendo que exagerara no tom de voz e sentou-se no terceiro degrau da escada e Shikamaru fez o mesmo.

- Todos vêem o Gaara como alguém inalcançável, experiente e perfeito só porque ele é o tão temido Sabaku no Gaara. Mas não é assim, pelo contrário. Durante toda a sua vida, o único sentimento que ele recebeu foi de ódio e medo. Só á poucos anos que o Gaara começou a conhecer o outro lado das pessoas. Mas mesmo assim ainda tem muita coisa que ele desconhece e tem dificuldade de compreender.

- ...mas você precisa deixar que ele aprenda sozinho. Naruto me contou que o Gaara mudou muito desde o exame Chunnin anos atrás e você mesma diz que ele chegou á muitas respostas sozinho. Isso certamente influenciou a escolha dele para kazekage.

- Gaara se tornou kazekage porque os políticos de Suna acharam que era a melhor forma de vigiá-lo. Só quando a Akatsuki atacou a aldeia é que o Gaara provou ser qualificado para o posto. Mas ainda há muita gente que não acredite que o Gaara é bom o suficiente para isso.

- Será mesmo?

 Ela finalmente sorriu, mesmo que fosse um sorriso descrente.

- Sei o que quer dizer e posso confessar que isso até faria sentido. Mas o posto de kazekage não é escolhido pelos outros como acontece como hokage. O título de kazekage é hereditário e pertence ao primogênito.

-Mas então seria você ou o Kankurou, não?

-Eu nunca seria. O posto de kazekage é somente para homens. É uma tradição antiga de Suna. E mesmo que mulheres pudessem, eu nunca queria ocupar esse posto.

- Por quê? Acho que você seria bem capaz.

- Jamais suportaria passar os dias trancada em uma sala dando conselhos e instruções aos outros.

- Burocracia é realmente tedioso. Acho que é por isso que a Tsunade-sama vive de mau-humor. E nem vou perguntar porque não escolheram Kankurou. É impossível imaginá-lo como kazekage.

- Te bateria se não concordasse com você! - ambos riram e, em Suna, provavelmente Kankurou espirrou. - Na verdade, desde a morte de meu pai não existe shinobi em Suna mais forte que o Gaara. Mesmo que o título de kazekage não fosse hereditário, Gaara ainda seria o único capaz de ser kazekage.

Ficaram em silêncio por um tempo e então Temari voltou ao assunto que a estava incomodando.

- O Gaara não é um cafajeste e temo que por pressão minha e do Kankurou acerca de ceras pressões que Suna coloca no kazekage, ele acabe se tornando igual ao nosso pai.

Por um momento ela se recordou da história de que a mãe de Gaara havia sido brutalmente estuprada pelo kazekage para que gerasse a maior arma de Suna. E imaginou Gaara com aquele sorriso demoníaco no rosto enquanto violentava a parceira de Shikamaru.

Talvez ela devesse ir lá e fazer alguma coisa, mas o quê? Se aparecesse, Gaara iria achar que sua irmã não confiava em seu caráter e poderia falar que ela e Kankurou tinham culpa de toda aquela confusão.

- Eu acho que você não precisa se preocupar. - Shikamaru falou, olhando para a entrada do hotel. - Os dois são crescidos o suficiente para saber o que querem. A Ino tinha total consciência do que poderia acontecer quando dançou para o Gaara daquela forma. E ele percebeu isso, então a chamou e ela aceitou. Então, não é problema nosso.

- Mas o Gaara não entende!

- Temari, ele é um homem não um boneco. Pormais que o Gaara ainda não entenda a complexidade da índole humana, ele compreende seus desejos. Eu não queria te falar isso, mas o seu "irmãozinho"  estava completamente excitado ao ver a Ino dançar pra ele.

Temari corou, ofendida. Claro quehavia percebido e lhe irritava o fato de Shikamaru falar tais coisas com tal facilidade.

Ele então se levantou e depois de estalar alguns ossos das costas, estendeu a mão em sua direção.

- Vamos deixar que eles se virem, não somos suas babás. O bar ainda está aberto, quer tomar alguma coisa? É por minha conta.

- Heh. Acho que não tem outro jeito.

Ele deu de ombros e quando oela aceitou sua mão para levantar, ambos sorriram. Sorriram daquela forma que sempre deixavam a ambos...fascinados.

 De mãos dados caminharam como qualquer casal. Shikamaru fez uma leve pressão naquela mão que, apesar de todos os treinos que fazia, ainda era delicada. E sentiu que ela fazia o mesmo.
Talvez ele não precisasse pressioná-la, pois já havia obtido a resposta que desejava.

~*~

Quando Kakashi finalmente a encontrou, não sabia exatamente o que deveria fazer. Oculto nas sombras obsevou, consternado, a imagem que a fraca luz da lua iluminava.

No centro do grande círculo de ogham desenhado no chão, Sakura jazia deitada de costas, com os braços e pernas sutilmente estendidos e a cabeça tombada para o lado esquerdo. Os olhos estavam fechados e o semblante sereno, como se dormisse profundamente. Percebeu que as linhas do círculo brilhavam e isso lhe provocou um mal pressentimento.

Cautelosamente se aproximou da garota, tomando cuidado para não fazer qualquer ruído.

" Ela está emanando uma quantidade de chackra anormal. Um chackra que nunca senti antes."

Um gemido saiu dos lábios da kunoichi e ela se remexeu com lentidão antes de sentar-se. Então, abriu os olhos.

 Aqueles verdes intensos encararam o copy ninja tão vagamente que ele sentiu uma sensação perturbadora.

- ...Kakashi...?

 Estava tudo bem, era Sakura. Se aproximou da garota, agachando ao seu lado.

- ...fiquei preocupado. - pensou em dizer "meu bem", mas não o fez. - A procurei em todos os templos, temi que algo pudesse ter acontecido.

- Muitas coisas aconteceram e devem acontecer.

- Você está bem?

- Se preocupa mesmo comigo, Kakashi?

- Claro que me preocupo, você sabe disso. E por isso quero me desculpar por minha reação horas atrás.

Parou. Era impressão ou Sakura sequer prestava atenção ao que ele dizia? Ela olhava em várias direções e para o próprio corpo como se estivesse em transe ou em outra realidade.
 Havia algo errado.

- Sakura, você sabe á que me refiro?

- ...coisas levianas não importam mais. Ela não importa mais pois ela agora sou eu.

Ergueu o rosto para o céu estrelado e estudou a penumbra do salão uma vez mais. Respirou profundamente e uma misteriosa brisa agitou seus cabelos.

- Sentir...eu quase havia me esquecido o quanto isso era bom.

 Kakashi estremeceu quando ela tocou seu rosto e abaixou a máscara. Seu dedo deslizou pelos lábios e subiram até o olho esquerdo.

- Sakura, o que você...

- Ainda não percebeu, tolo mortal?

Os olhos dela tornaram-se dourados.

- Eu não sou Sakura.

~*~


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Um comentário:

Leka disse...

Adorei esse finalzinho..."eu não sou a Sakura"...
bjs e paz!
http://guerradosmundosleka.blogspot.com/

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