7 de mai de 2011

FANFICS Naruto - Divinos Pecados - cap.22

~*~

Quando Ela surgiu, foi como se estivessem diante daquela que os recepcionaria na entrada do Paraíso. Talvez fosse os últimos raios de sol que atravessavam a clarabóia, mas seu corpo parecia emanar, por um instante, uma luz acolhedora e gentil.

Todos ajoelharam-se ao mesmo tempo.

- Ergam-se. Deixem que eu veja teus olhos.

Obedeceram e se surpreenderam com o que viram.

Divina.

Essa era a melhor palavra para definí-la. A Santa Deusa era realmente tudo aquilo quer sua alcunha dizia. Bela, com uma pele tão alva que quase parecia refletir a luz e o rosto parecia esculpido por um artista renascentista. Os cabelos eram prateados e desciam ondulados até sua cintura. Usava uma longa túnica branca de seda e um véu da mesma cor preso á uma elegante coroa de ouro. Ela tinha um sorriso gentil nos lábios e todos os presentes observaram em silêncio enquanto Ela passava seus olhos um por um.

Os olhos dela eram de um azul da cor do céu e as pupilas possuíam uma forte coloração âmbar. Havia algo á mais naqueles olhos além de sua coloração peculiar. Transmitiam sabedoria e mistério. E havia o poder. Um poder ilimitado.

Ninguém foi capaz de suportar o olhar Dela por muito tempo pois era como se ela estivesse vendo dentro de suas almas, descobrindo seus desejos mais secretos. Mas, quando os olhos dela pousaram em Sakura, esta sustentou o olhar.

" Tudo o que busco são respostas. Pode dá-las á mim?"

" Não apenas lhe darei respostas como ensinarei o seu destino."

As palavras ecoaram em sua mente sem que a Santa Deusa movesse os lábios. Sakura reconhecia aquela
voz. Era a mesma voz que recentemente ecoava em sua cabeça quando confrontava com Astarte. A voz que a acalentava.
Sakura então percebeu algo. Conhecia a Santa Deusa. De outra vida.

" Sim. Eu estive esperando que viesse a meu encontro."

Quando ela falou isso, um sorriso discreto pairou no rosto da kunoichi. E a palavra que saiu de
seus lábios foi natural.

- Ola, Morgan.

O rosto da deusa suavizou-se. Sim, inconscientemente a alma daquela menina estava seguindo seu dever. Havia acertado em escolhê-la.

Como se fosse algum tipo de mágica, toda a aura mística que envolvia a Santa Deusa desapareceu e agora ela parecia uma jovem sacerdotisa.

" Fantástico. Ela é deusa, santa, mulher, donzela...tudo ao mesmo tempo."

Kakashi notou que a Santa Deusa o fitava e logo sua voz ecoou em sua mente.

" Deixe-me ver tua face."

Ele sabia que, mesmo que não quisesse, tinha de obedecer. Com uma das mãos, abaixou a máscara e com a outra ergueu o hitaiate. Pela primeira vez alguém não se surpreendia com as belas feições de Kakashi Hatake. Apenas por uma fração de segundos a Santa Deusa semicerrou os olhos ao ver o sharingan.

" Conheces o sharingan?"

" Sim. Fitei o mais especial sharingan inúmeras vezes."

Quando os olhos Dela deixaram de encará-lo, Kakashi recolocou a máscara.

- Independente dos imprevistos ocorridos, a missão designada foi concluída. Obrigada por terem
trago Sakura á minha presença.

Temari e Gaara assentiram respeitosamente e Shikamaru, um pouco á contragosto, os imitou. Ino piscou aturdida e quando abriu a boca para falar, Temari lhe segurou o pulso com força.

- Sakura. - era a voz da Santa Deusa. - Gostaria de lhe falar á sós. Siga-me.

~*~

Sakura seguiu a Santa Deusa em silêncio sem saber como se portar. Diante daquela figura que caminhava á sua frente, sentia-se pequena e inútil.

" Quem é Ela, afinal? Sua voz é a mesma que ouvi em Karnak. Santa Deusa por favor, me dê as respostas que procuro."

- Você não deve rogar á mim como se estivesse rogando ao Criador.

A kunoichi arregalou os olhos. Ela havia lido sua mente?

- Gomen majes...excelên...hãn...

Ser calou. Qual pronome deveria usar para alguém do nível Dela?

Caminharam por uma trilha cercada pela floresta, chegando por fim á um promontório. Uma bela e delicada construção semelhante ao estilo grego. Subiram o pequeno lance de degraus e, estendendo uma das mãos, a Santa Deusa indicou que Sakura sentasse em uma grande e confortável almofada no chão enquanto sentava-se em um trono de marfim e gesso ornado com vários símbolos.

Tão bela, elegante e misteriosa. Encarando-a de baixo para cima, Sakura conclui que a Santa Deusa era uma entidade suprema. Tão suprema que não precisava demonstrar seus poderes para provar, pois o poder de seus olhos bastava.

- Sei que está confusa com todos os acontecimentos repentinos mas garanto-lhe que tudo será esclarecido.

- ...eu não sei o que está havendo realmente. - Sakura olhou para as próprias mãos. - E a certeza de que sou uma existência maldita me faz sentir perdida.

- Tu não és uma existência maldita. Jamais será.

- Mas...eu causei tanta destruição, tantas mortes... - Sakura sentiu as lágrimas tremerem em seus olhos. - Eu feri pessoas importantes para mim...como não posso ser uma existência maligna?

Calou-se ao perceber que elevara a voz.

- ...desculpe estar dizendo isso.

- Tem todo o direito de extravasar seus sentimentos. Não precisa e nem deve guardar as aflições para si.

Sakura suspirou. Tanta coisa que queria dizer, que queria perguntar. Tanta coisa que precisava saber....não poderia ficar ali aos prantos feito uma adolescente revoltada. Não estava diante de amigos ou parentes. Aquela ali era a Santa Deusa.

A entidade mística retratada no livro que seus pais leram para ela na infância. A mesma entidade por quem Karnak regera templos e realizava cerimônias sagradas. Estava diante daquela por quem as pessoas consolidaram uma religião.

" Quem sou eu para perturbá-la com meus problemas?"

- Quando nos vimos pela primeira vez, tu se referiu á mim por um nome.

- S- sim, não sei porquê mas esse nome me veio do nada...desculpe.

- Eu sou a Santa Deusa e apenas algumas poucas pessoas têm conhecimento do meu nome. E só o revelo
á quem confio. Porém, você disse meu nome logo que me viu. Morgan.

Sakura estremeceu. Como havia descoberto isso.

- Ela o revelou á você.

- ...ela? Ema quem...não pode ser...!

- Sim. Sua outra alma. Sua alma divina, santa e imortal cuja consciência denomina Astarte. Você é
como eu.

~*~

Kakashi não conseguia se concentrar em nada devido a enxurrada de pensamentos preocupados por Sakura. Permanecia em silêncio, alheio á tudo ao seu redor. O sol estava se pondo e, embora aquilo fosse um belo espetáculo, ele sequer havia notado.

Permaneceu escorado em uma das pilastras que sustentavam o teto do salão para onde Kalui os havia levado. Olhou para Ino sentada em uma das cadeiras de vime com as pernas cruzadas. E admitiu que a loira possuía um belo par de coxas. Notou que Gaara percebera aquele fato também mas disfarçava isso, ocasionalmente desviando os olhos em direção á Floresta. Shikamaru estudava as pinturas das paredes com sua típica cara de tédio. Como eles conseguiam ficar tão calmos? Por que nenhum deles falava sobre Sakura ou mesmo sobre a Santa Deusa?

A verdade era que depois de todos a terem visto, á exceção de Kakashi, pareciam estar hipnotizados e fascinados. Tudo bem que ela era uma entidade praticamente lendária, dona de uma beleza e um mistério ímpar mas mesmo isso não sobrepujava o seu zelo por Sakura.

" Faça com que Sakura o ame."

Kakashi se perguntava como aquela frase dita pelo casal Haruno pudesse desencadear tamanho caos em seus sentimentos.

Após observar as pinturas do templo, Shikamaru tencionou ir até a entrada á fim de olhar as últimas nuvens do céu, mas os frondosos galhos das árvores próximas impediam. Decidiu então olhar para a trilha de cascalho que levava ao interior da mata.

A imagem da Santa Deusas e da Sakura possuída rodeavam sua mente de forma perturbadora. Não havia qualquer semelhança entre ambas, então por que sua mente repassava os acontecimentos de Karnak?

Por mais que pensasse, Shikamaru não encontrava conexão e isso o aborrecia.

" Provavelmente a resposta estás bem na minha frente."

A Santa Deusa era divina. A Santa Deusa era bela e encantadora. Sakura era bonita, mas assustadora quando brava.

Santa Deusa e a aura que emana de Sakura e a força que arrasou o templo de Karnak. Ambas possuem estrondoso poder.

Santa Deusa com seus olhos profundos e hipnotizantes.
Sakura com seus olhos demoníacos e assustadores.
O poder oculto da Santa Deusa.
O poder libertado de Sakura.

Santa...Deusa...Sakura.

Shikamaru arregalou os olhos. Se o que acabava de concluir fosse verdade, isso seria seriamente problemático.

Tencionou voltar para dentro e perguntar certas coisas sobre a Santa Deusa para Temari e então percebeu que ela não estava ali. Quando ela saíra e como fizera isso sem que ele percebesse?
Mendukouse, aquela mulher era uma ninja mesmo.

Disfarçadamente e sem fazer ruído, Shikamaru esgueirou-se para fora sem que os demais notassem.
Tinha uma coisa importante para fazer e aproveitaria para procurar Temari pois para lhe dizer certas coisas sobre aquele lugar e sobre a criatura que havia só poderiam ser explicadas por quem já vivera ali e não estava mais presa á qualquer juramento religioso.

~*~

O templo mergulhava em um silencio sepulcral á medida que escurecia. Embora não houvesse vento, a temperatura havia diminuído e isso só deixava os presentes mais desconfortáveis. Ino abraçou a si mesma. Primeiro, Sakura saía com a Santa Deusa, depois Shikamaru evaporara, Temari nem dava sinal de vida...só faltava Kakashi sair para dar uma volta e ela ter de ficar sozinha com Gaara. Não. Era mais provável que chamassem Gaara para deveres de kazekage e ela acabaria sozinha ali.

" Isso seria horrível. Eu não me sinto bem nesse templo e nessa floresta. E a Santa Deusa me dá calafrios porque...porque é como se tivesse diante de alguém superior...eu não deveria ter aceitado fazer parte dessa missão."

Ino interrompeu os pensamentos ao notar duas sacerdotisas vestidas de cinza começarem a acender algumas velas dos grandes candelabros de ferro espalhados pelo local. E as chamas tremulas por entre as pilastras na penumbra só deixava a garota mais apreensiva.

- Vocês devem estar muito cansados da viajem.

Ino conteve um gritinho e pôs-se de pé quando o velho Kalui emergiu atrás de si. Com um sorriso, ele continuou.

- Á pedido de minha Senhora, irei levá-los ate suas acomodações e providenciar uma refeição.

- Han... - murmurou Ino. - Mas e quanto á Sakura?

- Ela está na companhia da Santa Deusa. Não há com o que se preocupar.

As palavras do kazekage foram suficientes para ninguém dizer mais nada.

- Por um momento tive o lampejo de memória e me pareceu estar vendo o Canino Branco.

- Você conheceu o Canino Branco de Konoha?! - indagou o copy ninja apressadamente.

- Sim...eu o conheci á mais de....quantos anos já faz mesmo? Ele tinha mais ou menos a sua idade quando apareceu aqui. Fiquei realmente triste quando soube de seu falecimento.

- O que o Canino Branco veio fazer aqui?

A voz de Kakashi soava letal.

- B-bom...esse é um assunto do qual meu voto como sacerdote não me permite dizer.

- Mas eu quero saber.

O silêncio seguinte foi perturbador. O velho homem observou Kakashi e decidiu indagar, mesmo já sabendo a resposta.

- Por que tem tanto interesse no Canino Branco?

- ...ele era meu pai.

- Oh.... - murmurou Kalui com uma surpresa pouco convincente. - Realmente o senhor é muito parecido com ele.

- Você poderia me contar um pouco sobre o Canino Branco?

- ...claro. Mas devo confessar que o vi poucas vezes.

- Mesmo assim eu gostaria de saber.

~*~

A noite já caíra quando Shikamaru optara por seguir uma das muitas trilhas que haviam ao redor do templo. A temperatura esfriara um pouco mas isso não o incomodava, afinal o ar puro e o silêncio da floresta eram relaxantes. E a lua cheia tornava sua caminhada mais fácil.

Não se preocupava muito para onde aquele caminho o levaria, pois tinha uma misteriosa convicção de que não se perderia. E era bom mesmo que ele fizesse um reconhecimento de área. Afinal, nunca se sabe...além do mais ele estava incumbido de realizar uma certa missão particular.

***Flash- Back ****

Já era tarde da noite e a pouca luz que havia na sala da Godaime provinha apenas de um lampião. Shikamaru estava sentado na cadeira enfrente á mesa, encarando Tsunade com surpresa. Seu pai, parcialmente oculto próximo á porta.

- Entende agora porque esta é uma missão de extrema importância?

- ...sim . - o rapaz sentiu a garganta seca. - Eu dificilmente acreditaria se não fosse a senhora me dizendo. Essa existência da Santa Deusa, Floresta Proibida me foi sempre um conto religioso.

- Eu também pensava isso até descobrir que não era. Shikamaru, você é um dos melhores ninjas de Konoha, de modo que designo á você uma missão além de escoltar Sakura com os demais.

- Qual?

Tsunade e Shikaku trocaram olhares.

- Quando chegar á Floresta Proibida. - começou a mulher. - Assim que for possível, deve coletar informações.

- De que tipo?

- Comece com plantas, animais e coisas do gênero. Se há uma floresta que sobrevive em meio ao deserto, deve conter espécies desconhecidas.

- Já entendi. - ele suspirou. - Vou recolher secretamente algumas amostras para que sejam analisadas em Konoha.

- Particularmente, eu não aprecio esse tipo de coisa. - confessou Tsunade. - Mas como hokage, sei que possuir vantagem sob as demais nações é valioso. Certos documentos ultra secretos da Anbu revelam que existe uma espécie de "magia" que estimula a capacidade mental das pessoas. E quando magia é utilizada por ninjas com habilidades em genjustsus, o poder de suas técnicas podem alcançar níveis extremamente altos. - Tsunade retirou alguns papéis da gaveta. - Disponibilizo para você alguns documentos de caráter confidencial. Leia e depois queime.

Shikamaru olhou rapidamente para as folhas.

- Tenha cuidado, Shikamaru. Não fazemos idéia do que pode haver naquele lugar. Muitos ninjas que ousaram ir jamais retornaram. Se as circunstâncias não forem favoráveis, aborte a missão.

****flash-back****

Shikamaru se afastou da trilha e adentrou na floresta. Pelo visto, recolher amostras de organismos vivos não seria tão difícil quanto Tsunade pensara.

Inicialmente, não via nada de diferente entre a Floresta Proibida e uma floresta comum no que se dizia respeito á vegetação. Só o aroma que parecia aguçar e embaralhar os sentidos ao mesmo tempo.

Se bem lembrava, nos registros diziam que a "magia" da floresta era capaz de estimular genjutsus e isso provavelmente advinha de alguma mistura de plantas talvez com propriedades alucinógenas.

Shikamaru não pôde precisar com clareza por quanto tempo caminhou na floresta até que uma sutil rajada de vento fez um arrepio percorrer seu corpo e ele percebeu estar no meio de um silêncio sepulcral.

" Há magias nessa floresta que podem aprisioná-lo para sempre."

Não gostou de se lembrar da frase presente no relatório da Anbu. "Bobagem" resmungou para si. Tudo bem que não conhecia aquele lugar e a Santa Deusa emanava uma estranha energia, mas daí relacionar isso com a possibilidade de ser amaldiçoada era paranóia. O lugar era belo e a prova de que Temari vivera ali eliminava a possibilidade de ser algo ruim.

Só que ele não estava gostando do silêncio da floresta. Nem uma coruja, nem um inserto. As árvores eram tão densas e a terra úmida deixava mais frio. Shikamaru tirou um cigarro do bolso e tencionou acendê-lo mas o isqueiro não funcionou. O refil estava cheio, então por que não acendia?

- Mas que droga.

Notou que aquela floresta parecia subitamente estar se fechando ao redor de si. Caminhou desconfiado e então apressou o passo quando ouviu som de água ao longe. Pelo som, era uma cachoeira, o que significava que poderia seguir o curso do rio para chegar ao grande lago e pegar o caminho de volta ao templo. Passou por entre as folhagens e, ao chegar onde pretendia, parou.

Estendia-se á sua frente um local de notável beleza que a lua cheia e o céu estrelado mostravam. A
vegetação possuía uma tonalidade de verde mais escuro e o barulho da cachoeira á alguns metros de distância geravam uma sensação de paz ao se mesclar com o ruído hipnotizante do córrego.

Shikamaru respirou, sentindo o ar puro e frio entrar em seus pulmões e, ao assoprar, notou o vapor esbranquiçado. Realmente estava mais frio ali do que nas proximidades do templo. Isso era estranho.
A temperatura do ambiente não poderia ser tão diferente em um único lugar. Cogitou a hipótese de algum jutsu, mas uma rápida análise descartou tal hipótese.

Tratou de avançar com cautela e encontrou, sob uma pedra, um kimono preto e um grande leque deveras familiar. Então ouviu o som de algo na água e ocultou-se entre os arbustos próximos.

E a viu. Artemis personificada. Emergindo das águas límpidas como a visão de um delírio. Os cabelos louros, soltos e molhados, o rosto austero de olhos verdes. Que ela possuía notáveis curvas ele sempre percebera, mas eram muito mais tentadoras do que sonhava. Seios fartos, o corpo com carne nos lugares certos. Ao devorá-la com seus olhos perspicazes, a visão daquele quadril largo e coxas grossas, fez a excitação dominá-lo totalmente.

Assistiu ela terminar de se lavar na fria água do lago e quando saiu, Shikamaru sentiu sua calça incomodá-lo. Sorriu com desejo ao vê-la ali, em pé observando a cachoeira de um jeito orgulhoso e completamente nua.

Sabaku no Temari.

Shikamaru esqueceu tudo diante daquela imagem e sua mente começou a imaginar coisas que ele sabia que não devia. Queria ir até aquela mulher, envolvê-la em seus braços, possuí-la com luxúria e fazer com que gemesse seu nome.

Sem que percebesse, suas mãos se moviam para invocar o kage mane no jutsu porém, subitamente. ela virou-se na direção que o jounin se escondera.

A rajada de vento surgiu tão rápido e forte que Shikamaru só teve tempo de proteger o rosto com os braços para não sofrer os cortes do ar.

Com agilidade, Temari girou o leque em torno do corpo e postou-se em modo de ataque. Quem quer que estivesse ali a espionando não sairia impune.

Ficou em silêncio, atenta ao menor ruído. A floresta novamente mergulhava no silêncio exceto pelo ruído da água correndo sobre as pedras. Temari notou o vapor que saía de seus lábios, começando a sentir frio.

" O que eu devo fazer agora?"

Escondido atrás de um grande carvalho. Shikamaru analisava a situação. Bem feito. Isso que acontecia quando agia com a cabeça de baixo. Temari estava ali, completamente nua e pronta para matar o humano que a espionava. Atenta como uma tigresa, qualquer som que ele fizesse seria percebido. Não tinha como fugir.

Primeira opção, "fuga" descartada. Talvez pudesse segurá-la enquanto fugia discretamente. Embora houvesse sombra devido á iluminação da lua, iria segurar Temari com o kage mane mas...já que Temari estaria presa na técnica, poderia usar o jutsu de Manipulação das Sombras para...

" Não! Tenho que pensar com o cérebro!"

É, não havia outra alternativa. Assim como Actéon observou Artemis n banho. É, Temari era guerreira como ela e Shikamaru teria de enfrentar sua ira. Pelo menos ela não tinha o poder de transformá-lo em um cervo como na lenda. Se bem que o clã Nara tinha como símbolo um cervo...
Coincidência? Se fosse seria uma puta ironia.

Quando ouviu o ruído nas folhagens Temari, esquecendo-se de como estava, ficou em posição de ataque, o leque aberto atrás de si. E então ele surgiu á sua frente, poucos metros de distância.

De perto, ela era a tentação personificada. Já a havia imaginado assim em seus devaneios, mas a realidade era bem melhor.

Ele a fazia perder a compostura. Era a primeira vez que via um brilho nos olhos de Shikamaru e o rosto, embora sério, parecia esconder certa malícia.

Verdes sobre castanhos. Por quê não parava de encará-la feito um lobo faminto?

Temari sentiu um arrepio de frio pela água gelada em seu corpo e então lembrou-se da situação.

" Eu estou nua diante dele!"

Apavorada, com destreza colocou o leque á frente, cobrindo-se totalmente enquanto o rubor lhe tomava conta da face.

" Então ela é tímida?"

- Não precisa fazer isso. - comentou, coçando a nuca. - Eu já vi.

A kunoichi se enfureceu ao notar que ele escondia um risinho.

- O que está fazendo aqui me espionando? É bom que tenha uma desculpa convincente ou vai se machucar!

- Calma, calma. Você pode não acreditar mas foi um acidente. Eu estava caminhando pela floresta e de repente cheguei aqui.

- É avisado para que os visitantes não caminhem pela Floresta Proibida sem permissão!

- ...me esqueci disso. - os olhos de Temari faiscaram. - Sério, desculpa! Não foi minha intenção.

Ficaram em silêncio, evitando se olhar. Temari ainda continuava com o leque á frente do corpo e, mesmo Shikamaru estando á alguns metros de distância, ele percebia que a garota sentia frio.
Lógico, após sair daquela água gelada e ficar sem vestes completamente ensopada no meio da bruma fria não seria de surpreender que ela pegasse uma constipação.

Temari estudou o shinobi com o canto do olho. Por que essa situação foi acontecer? Ele vira uma sacerdotisa da floresta banhando-se no lago e deveria receber uma punição por isso. Mas a verdade é que jamais pensou em ferí-lo e tudo o que dissera não era nada mais do que sua técnica de auto-defesa.

Verdes sobre castanhos. O que fazer? Não era essa a chance sobre a pessoa á sua frente que eu esperei por tanto tempo?

- O que você achou?

Shikamaru piscou, surpreso. Era impressão sua ou o rosto de Temari estava rosado? Lembrava-se bem daquelas curvas e a forma como aquele corpo se movera para posicionar o leque.

Se Shikamaru Nara fosse o tipo de homem que agia por impulso, lhe responderia que o fato de sua calça estar horrivelmente apertada e que a visão de seu corpo liberasse o instinto, era uma resposta mais do que evidente. Mas Shikamaru Nara não era assim e abominava esse tipo de postura.

Com Temari havia sido sempre uma caçada. Ela, a fera indomável e ele o predador ocasional. As coisas eram desse jeito desde o exame chunnin. O orgulho e a acomodação. Duas forças a se chocarem sempre, incapazes de admitir a verdade. No início o freio havia sido a inexperiência, depois o receio.

E aquela sensação e pensamento constante foram aumentando. Agora era crucial. Não havia dúvidas. A caçada chegara á seu ponto máximo. Ela estava encurralada e era o momento de acabar com aquilo de uma vez por todas.

- Por quanto tempo vai ficar parado me olhando?

Temari procurava ser o mais grosseira possível para evitar o fato de que suas mãos sobre o leque estavam trêmulas. Sentiu uma força apoderar-se de seu corpo e para total espanto, percebeu que estava presa no kage mane no jutsu.

Encarou o jounin em um misto de surpresa e indignação, enfurecendo-se ao perceber que ele sorria de forma sarcástica.

- Quando você...

- Desde que a vi. Cogitei várias estratégias e por fim me decidi não pela mais sensata, mas sim pela que eu mais queria.

Moveu o braço na mesma posição do braço dela e segurar o leque e isso fez a kunoichi estremecer.

- Você não OUSARIA fazer isso.

Não só ousaria como já estava fazendo. Lentamente abriu um dos braços e Temari fez o mesmo, relutante.

Ah, ela era uma divina tentação. Fez com que ela soltasse a mão do leque e este caiu na grama macia com um ruído seco. Quando a jovem estremeceu, Shikamaru cogitou que ela estivesse com frio mas sabia que ela tremia de ansiedade.

Temari não sabia como agir. E, mesmo que soubesse, nada poderia fazer enquanto estivesse aprisionada na técnica dele.

Um estremecimento de excitação percorreu seu corpo. Presa na técnica dele, estava á sua mercê.
Tentou sustentar o olhar que ele lhe dirigia mas pela primeira vez não foi capaz.

" Kuso! Por que estou sentindo isso? Eu já não sou uma completa ignorante no sexo. Não tive
qualquer receio de contratar um cara para me satisfazer mas o fato desse baka olhar já fico tão nervosa!"

Você sabe muito bem por que fica assim.

Quando percebeu, Shikamaru já estava caminhando, fazendo com que ela também caminhasse. Ninguém poderia dizer que ela não relutou áquela situação tão semelhante ao exame chunnin anos atrás.
Irritada estava, por aquela situação lhe colocar na posição que mais odiava: submissão.

O mais absurdo era que, mesmo diante disso, sentia desejo. Excitava-se com a possibilidade de ser presa naquela sombra e permitir que Shikamaru a fizesse sentir-se como uma donzela pura.

Absurdo! Ela era uma mulher independente, guerreira e de personalidade, não poderia se rebaixar á
esse ponto e agir como uma kunoichi comum. Era Sabaku no Temari, guerreira dos ventos e iniciada sacerdotisa da Floresta Proibida. Uma mulher que, assim como as deusas, não deveria ceder á impulsos levianos.

Mas Temari sabia que esse sentimento não era nem um pouco leviano.

Seus rostos agora estavam próximos á ponto de sentirem as próprias respirações. Shikamaru manteve o controle e desfez o kage mane. Deixaria que ela decidisse. Independente do que escolhesse, ambos sabiam que seria um caminho sem volta.

A mão delicada tocou em sua nuca e o beijo foi lento e apaixonado. Sim, realmente o amava. Shikamaru fechou os olhos quando a outra mão de Temari acariciava seu rosto.

Suas mãos começaram a tocar com cuidado o corpo da parceira. Ela estava fria e, envolvendo Temari em um abraço, fez com que ela colasse em seu peito.
Por alguma razão, naquele lugar, tocar em Temari era como tocar em algo sagrado.

Temari estremecia á cada carícia dele em seu corpo e sorriu internamente quando, ao mordiscar sua língua o fez gemer.

- ...vai ser minha? - ele perguntou.

- Não.

Castanhos surpresos sobre verdes zombeteiros.

- É você quem será meu.

O poder do sagrado feminino. Shikamaru sorriu e aceitou com um gesto da cabeça. Beijou-a nos lábios e então se ajoelhou na relva, segurando os quadris largos com firmeza. Temari fechou os olhos quando sentiu os lábios dele em seu íntimo. Apertou os cabelos enquanto a língua dele instigava e retrocedia, fazendo todo seu corpo estremecer e queimar.

Quando a ouviu gemer um pouco mais alto, Shikamaru sentiu-se satisfeito. Aumentou a intensidade da carícia, mordendo e lambendo e arrancando gemidos mais altos. Temari segurou os cabelos do rapaz o afastando e ajoelhou-se á sua frente, permitindo que ambos ficassem na mesma altura.

Fitaram-se em silêncio por um momento e foi como se o tempo parasse. Se tivessem esperado um pouco mais, a primeira vez poderia ter sido com quem realmente desejavam.

" Se eu tivesse esperado só mais um pouco..."

Mas agora que estavam nos braços um do outro, não havia mais arrependimentos. Pois, embora tivessem entregado seus corpos á desconhecidos, suas mentes permaneceram interligadas. Sim, o coração nunca poderia ser enganado como o corpo.

Beijaram-se com ardor, como se aquilo fosse necessário para sua sobrevivência. As mãos de Shikamaru passaram a explorar todo o corpo da parceira e viu a destreza com que Temari ajudava-o a livrar do colete de jounin.

- Até que para um preguiçoso você possui um ótimo porte.

- Eu não sou um preguiçoso qualquer.

Acariciou com as mãos os seios fartos da parceira sentindo-os se enrijecerem e Temari lhe soltou os cabelos. Ele ficava muito diferente daquele jeito. Ficava...sexy.

A floresta estava fria e a grama encharcada pelo orvalho, mas Temari não sentia mais frio, pelo contrário. Era como se o seu corpo queimasse e implorasse pelo toque dele e de mais ninguém.

Quando Shikamaru a envolveu em seus braços, Temari acreditou que ele a colocaria sobre a grama e tomaria o controle, mas era ele que deitava-se de costas na grama, a colocando sobre si. Temari enrubesceu enquanto Shikamaru lhe segurava a cintura, deliciado com a mulher que via em cima de si.

- Sou todo seu.

Ela enrubesceu mais ao sentir as mãos dele deslizarem em seu quadril apertando-o e erguendo-o para que ela percebesse o quanto estava excitado.

- ...d-deixando todo o trabalho para mim? - murmurou, começando a lhe afrouxar o cinto. - Você é muito problemático.

- Hum, eu poderia justificar dizendo coisas que te agradariam como respeitar a superioridade feminina. - a ajudou a tirar a calça. - Mas serei machista e confesso que quero ficar te vendo.

- ...eu o atraio?

"Como ela ousa dizer isso?! Olha só o meu estado!"

- Temari... - ele suspirou. - Você é...

Ela colocou o dedo em seu lábio e tratou de começar a beijar seu corpo, primeiro timidamente depois com confiança. Shikamaru gemeu com satisfação ao sentir aqueles lábios aveludados em seu membro.

Isso parecia um sonho, como aqueles que tinha ocasionalmente. O ar frio, a bruma, a relva molhada, a noite estrelada, a visão daquela mulher maravilhosa em cima de si e o prazer de sentir o calor de seu corpo era bom demais para ser real. Mas era.

Seus corpos uniram-se e os gemidos de prazer escaparam entre beijos. Shikamaru explorou com as mãos todo aquele corpo tentador que, embora possuísse algumas cicatrizes de antigas batalhas, era belo.

Era assim que esperava que Temari fosse. Com marca de suas vitórias e com a paixão desenfreada pelos desejos. Como uma deusa da guerra. E tal como Artemis, era capaz de arrastar um homem á loucura por seu nome.

- Temari. - murmurou extasiado ante o prazer de seus corpos movendo-se no mesmo ritmo. - Você é a minha deliciosa perdição.

Ela sorriu, movendo-se de forma rápida e deixando que o prazer dominasse os sentidos. Por que com ele era tão bom? Embora na primeira vez houvesse fantasiado e o resultado tenha se mostrado satisfatório, agora que era mesmo ele ali, estava sendo muito melhor. E a resposta era simples.

Era bom porque era real.

Quando viu que Temari chegara ao ápice, inclinando a cabeça sutilmente para trás, ele permitiu sentir-se o mesmo e gemeram alto. Suas mentes clarearam por alguns instantes enquanto o prazer percorria cada centímetro de seus corpos.

Shikamaru ergueu os olhos para as frondosas árvores, respirando o ar frio. E aceitou de bom grado quando a companheira deitou-se sobre si, arfante. Acariciou seus cabelos úmidos, beijando-a com carinho.

Temari recostou a cabeça no peito másculo, ouvindo o batimento acelerado. Estava satisfeita e completa naqueles braços. Não havia programado isso, acabara acontecendo impulsivamente. E por isso mesmo era maravilhoso.

Deixaram-se ficar ali, unidos sob a relva daquele paraíso mágico, como se fossem um só.

~*~

cap23

Divinos Pecados - índice




4 comentários:

Roberta disse...

Eu deixei um comentário enorme, mas deu erro na minha janela...

Bem, resumindo tudo o que eu ia falar, haha: ShikaTema! Eu tinha me esquecido que eles tinham pago pra perder a virgindade e tudo mais, mas ainda assim acho que a primeira vez deles, de verdade, foi agora, um com o outro. Por que foi espontâneo, não teve pressão ou responsabilidade, e certamente foi muuuito melhor e realmente o que eles queriam. Achei muito pertinente com o clima místico a forma com que eles se encontraram, hehehe... agora espero que eles joguem limpo um com o outro e abram o jogo, porque são racionais demais e se ficarem pensando podem acabar considerando besteira ou sei lá, coisa de momento, e assim se afastam! NÃÃÃÃOOOOOO!
Eu sei que esse foi o grande ápice pra ShikaTema, mas não custa nada sonhar com mais uns momentozinhos.. hahah!

No mais, achei bacana a interação Sakura/deusa e Astarte. Gostei do nome dela.
Enfim, próooximo capítulo!

Tsu disse...

Oi Robs o/
Ah eu sempre dou um copia quando termino de digitar meus comentários para evitar isso =p. Ah que bom que você gostou! Ah é ormal esquecer certas partes da fanfic sendo que estou publicando ela á tempos já...mas sim concordo com vc. A primeira vez deles foi ali mesmo, juntos.O contexto do local referência, e tudo o mais surgiu assim subitamente na minha cabeça. principalmente ao comparar Artemis e Acteon com ShikaTema.
Não se preocupe!!!! Shika e Tema são pessoas mais maduras creio que não acharao aquilo de momento não, fique tranquila. Porém, outras ocisas podem abalar um pouco a relação...há e o que vc achou da Santa Deusa?

Leka disse...

Gostei da descrição da deusa e fiquei imaginando toda a cena com a sakura...engraçado que na minha mente imaginei uma mística muito bacana pelas descrições que vc fez! Essa questão dos olhos transmitirem o poder foi muito legal!

Até que enfim!kkkk!
Realmente essa foi a primeira vez deles...a primeira vez que não fizeram apenas sexo...mas amor!
tudo que acontece naturalmente é muito melhor!

bjs, paz!
http://guerradosmundosleka.blogspot.com/

Tsu disse...

Oi LEKA

Bom, quanto á Santa Deusa eu fico feliz de que minha descrição da personagem permitiu que você formulasse algo bacana! Eu me baseei um pouco na Ifurita do OVA/anime El Hazard e acrescentei algumas diferenças. A Santa Deusa é uma personagem que possuirá destaque á partir de agora.

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